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Lifan mantém acordo no Uruguai, mas mira fábrica no Brasil

Neste ano, a fábrica uruguaia deve montar 10 mil carros, metade da capacidade, mas com a chegada de novos modelos a linha deve ficar pequena

6 jun 2014
08h00
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Depois de um começo atabalhoado com um representante nacional, a Lifan assumiu as operações no Brasil em 2012 e caminha com a paciência de Confúcio para recuperar a confiança do consumidor local. Seguindo o X60 no ano passado, a marca lança neste ano o sedã compacto 530 e o utilitário comercial Foison - todos montados no Uruguai, um resquício do acordo antigo que precisa ser cumprido antes de pensar em uma produção no Brasil, de acordo com Yin Mingshan, CEO e fundador da Lifan.

O utilitário comercial Foison começa a ser distribuído neste mês aos concessionários brasileiros
O utilitário comercial Foison começa a ser distribuído neste mês aos concessionários brasileiros
Foto: Peter Fussy / Terra

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A marca chinesa não entrou na onda de investimentos impulsionada pelo regime Inovar-Auto porque já tinha uma linha de montagem em CKD em San Jose, que foi iniciada pelo grupo Effa e comprada em 2012. Um protocolo permite que os veículos sejam exportados ao Brasil e vendidos sem o acréscimo de IPI para importados. Isto ainda dá certa tranquilidade em relação aos preços, mas dor de cabeça com relação a burocracia e processos de homologação dos veículos, que também devem ter um mínimo de conteúdo local - atualmente em 50%.

Yin MIngshan sabe o potencial do mercado brasileiro, mas optou por manter os acordos que fez no Uruguai, mesmo com praticamente toda produção destinada ao mercado brasileiro. Com isso, ele também testa a demanda e aceitação dos consumidores brasileiros, sem altos investimentos exigidos pelo Inovar-Auto. Neste ano, a fábrica uruguaia deve montar 10 mil carros, metade da capacidade, mas com a chegada de novos modelos a linha deve ficar pequena. Antes o plano era expandir a operação para 50 mil, mas agora a ideia é instalar outra no Brasil. 

"Vamos esperar a fábrica no Uruguai atingir o limite de 20 mil carros por ano. Quando alcançarmos este volume consideramos a instalação no Brasil. Neste meio tempo, também esperamos ganhar a confiança do governo brasileiro para a nossa planta", afirmou Mingshan. Com o ritmo acelerado de lançamentos mundiais - pelo menos dois novos carros por ano -, a cúpula da Lifan no Brasil acredita que este volume será atingido em 2016, forçando a produção nacional.

Globalização acelerada
Com menos de dez anos na produção de carros, a Lifan se expande rapidamente pelo mundo com foco em países que nem podem ser chamados de emergentes - Azerbaijão, Etiópia e Iraque possuem linhas de produção, que somam 21 no total. A China é o berço dos carros, mas não é o maior mercado da marca, posto que fica com a Rússia. No gigante mercado chinês, a Lifan engatinha com 36 mil emplacamentos neste ano - apenas o 38º lugar entre 50 marcas no país.

Por meio de acordos, a tecnologia para motores já está em alto nível, inclusive com previsão de lançamento de propulsores turbo já em 2015. Os modelos são feitos em três plataformas (pequena, compacta e grande), que geram versões desde o 320 até a van CA10 e o sedã 820. O centro de pesquisa e desenvolvimento de Chongqing, cidade sede da Lifan, já desenvolve novidades programadas para 2017, dentro de modernas instalações para controle de ruído e emissões de gás. A família que ganha maior atenção é a de derivados do X60. Além de uma atualização no próximo ano, a SUV ganhará "irmãos" menores e maiores, como X40, X50, X70 e X80.

Brasil
Embora tenha expansão acelerada mundialmente, a Lifan entrou com o pé esquerdo no Brasil e precisou retroceder alguns passos. A marca chegou em 2010 pelas mãos do grupo Effa, então responsável pela linha de montagem no Uruguai, com o compacto 320, mais conhecido pela semelhança com o Mini, e o sedã 620. As vendas não foram decepcionantes, mas faltou estrutura para a rede, que sofreu com falta de peças de reposição e ficaram praticamente à deriva até o final de 2012, quando a matriz comprou e assumiu as operações, tanto no Brasil como no Uruguai.

"Foi um momento difícil. Ficamos meses operando no vermelho, mas acreditamos na marca", lembra Luiz Carlos Martins, 44 anos, concessionário da marca em Florianópolis e Itajaí. Assim como no âmbito global, a Lifan foca em mercados ainda em desenvolvimento, fora dos grandes centros urbanos: as concessionárias com os melhors resultados se encontram em Sinop (MT), Brasília (DF), Salvador (BA) e Chapecó (SC), além de Florianópolis e Itajaí. Agora a expectativa é pela chegada do sedã compacto 530 em julho e do crossover X50 no primeiro semestre de 2014.

O jornalista viajou a convite da Lifan do Brasil.

Fonte: Terra

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