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Turismo de experiência é novo nicho para agências de viagem

Empresas deixam cartões-postais de lado e investem em roteiros que proporcionam imersão no cotidiano das comunidades visitadas

29 out 2014
08h00
atualizado às 10h13
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Andar de pau-de-arara na caatinga da Paraíba. Jantar o cardápio da Família Imperial brasileira em Petrópolis (RJ). Acompanhar uma colheita de açaí em Belém do Pará. Cozinhar doce de leite em Bonito (MS). Seguir o passo-a-passo criativo das artesãs de palha de piaçaba em Mata de São João (BA). Participar de degustações de vinho às cegas em Bento Gonçalves (RS). Esqueça as cataratas do Iguaçu e o Cristo Redentor. A nova tendência do mercado de turismo é fazer o viajante mergulhar nos costumes e tradições de uma região.

A agência Bonito Way leva turistas para cozinhar doce de leite em Bonito, no Mato Grosso do Sul
A agência Bonito Way leva turistas para cozinhar doce de leite em Bonito, no Mato Grosso do Sul
Foto: Bonito Way / Divulgação

Conhecido como Turismo de Experiência, esse novo nicho vai muito além dos circuitos tradicionais, que voltam para o mesmo hotel todos os dias e incluem uma lista de pontos de visita obrigatória para postar fotos nas redes sociais e a passagem por lojinhas de lembranças padronizadas. A ideia é estimular a vivência e o envolvimento com as comunidades locais e o aprendizado de novas atividades, como a produção própria de artesanato.

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“A economia da experiência é a grande tendência de marketing de consumo”, afirma Márcia Godinho, diretora comercial da Prisma Viagens, agência de Porto Alegre especializada nesse mercado. “Ela propõe que o turista se envolva com a cultura, meio ambiente e jeito de viver do local, experimente a gastronomia e tenha vivências com a identidade do destino, ao invés de apenas contemplar e registrar imagens”.

A tendência é bem conhecida no exterior, em especial em roteiros que misturam história e gastronomia. Em Portugal, os visitantes conhecem a produção de óleo de oliva. Na Itália, é possível caçar trufas brancas. Já o Peru oferece aulas de preparo de ceviche e pisco.

Crescimento no país
O Turismo de Experiência chegou com força ao Brasil há oito anos e, desde então, passou a abrir oportunidades de negócio para pequenas empresas dos mais distantes lugares do país. O conceito foi aplicado pela primeira vez em um projeto-piloto na região de vinhos do Rio Grande do Sul em 2006, organizado pelo Ministério do Turismo e pelo Sebrae, em parceria com o Instituto Marca Brasil e o Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares da Região da Uva e Vinho (RS). Com o sucesso nas vinícolas gaúchas, a iniciativa foi expandida para outras quatro regiões – a Costa do Descobrimento, Petrópolis, Belém e Bonito. Desde então, vem se difundindo por cidades de diferentes portes, do sertão ao cerrado, passando pelo litoral.

“O país possui um amplo potencial para essa modalidade. As pessoas hoje buscam conhecer coisas novas, viver o lugar, participar e se envolver com atividades desenvolvidas pela comunidade local”, afirma Adiel Ferreira, pesquisador da área pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

Este tipo de oferta costuma atrair um público de maior poder aquisitivo – até porque, estes pacotes são customizados e são de 10% a 50% mais caros que os pacotes tradicionais. Um levantamento do Ministério do Turismo indicou que este consumidor tem de 35 a 50 anos, pertence às classes A ou B e já havia viajado para fora do estado onde mora nos últimos seis meses. No sul da Bahia, os visitantes atraídos por esses pacotes contribuíram para um aumento de R$ 50 mil na rentabilidade dos artesãos locais.

Este tipo de turismo tem um tempo diferente, afirma Adriana Merjann, diretora comercial da agência Bonito Way, de Bonito. “Não apresentamos apenas um passeio em trilha na mata com cachoeiras. Propomos participar do cultivo de uma horta ou criar seu próprio artesanato de argila junto com moradores da região”, diz Adriana.

Criatividade nos pacotes
Quem quiser explorar esse nicho precisa enxergar experiências turísticas em locais diferentes dos tradicionais. Uma fazenda de mudas de plantas, por exemplo, pode atrair um público interessado em ecoturismo no meio do cerrado. Mas o visitante que planta uma árvore uma vez precisa de bons motivos para voltar. “É desafiador manter esta linha de roteiros de experiência em oferta, pois ela foge do pacote convencional”, diz Márcia Godinho.

Para isso, é preciso que a agência se mantenha aberta a novas formas de experiência. E precisa fazer isso sem perder os pré-requisitos básicos do setor: como sempre, o turista necessita de informações precisas, atendimento rápido e caloroso e hospedagem e alimentação de qualidade. Enfim, o pacote básico continua o mesmo, mas as agências podem acrescentar produtos mais sofisticados ao seu portfólio.

Fonte: PrimaPagina

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