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Portador de síndrome coordena portal Movimento Down

21 mar 2012
15h22 atualizado em 22/3/2012 às 07h20
15h22 atualizado em 22/3/2012 às 07h20
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Marina Pita
Direto de São Paulo

O Dia Internacional da Síndrome de Down, nesta quarta-feira, foi escolhido para o lançamento do portal Movimento Down, com informações sobre a síndrome e conteúdo adaptado. Para garantir a qualidade e a acessibilidade intelectual, o conteúdo teve a coordenação de Breno Viola, de 31 anos, ele próprio com Síndrome de Down. Acostumado aos desafios e a superá-los, ele foi o primeiro judoca com síndrome de Down das Américas a obter a faixa preta. Em 2007, ele alcançou o segundo Dan do esporte, sendo o primeiro do mundo a atingir este grau. Ele ainda guarda medalhas na natação e prática uma série de outros esportes.

Mas uma de suas principais atividades está mesmo no campo da inclusão de pessoas com síndrome, entre desfiles, conferências, encontros, concursos e shows. Multifacetado, Breno ainda poderá ser visto em breve no cinema como um dos protagonistas do longa Os Colegas, que foi vencedor do prêmio de melhor roteiro no Festival de Paulínia.

"Breno é o exemplo de que os limites impostos pela síndrome de Down não são definitivos e pré-estabelecidos. Como qualquer pessoa, quem tem Síndrome de Down apresenta aptidões distintas e diferentes graus de desenvolvimento", afirma Maria Antonia Goulart, idealizadora do projeto Movimento Down, advogada e mãe de uma criança com a síndrome.

De acordo com ela, apesar da Síndrome de Down ser frequentemente confundida com incapacidade, ela não impede o desenvolvimento de uma vida normal e autônoma. Mas para isso, as pessoas nesta situação devem ser tratadas dignamente e estimuladas a desenvolver todas as suas potencialidades. A criação do site é uma oportunidade, uma tentativa de ampliar a quantidade de informações de qualidade, proporcionar acesso a profissionais especializados e aparatos necessários ao desenvolvimento dos que nasceram com a síndrome.

E Breno não é o único colaborador com Down. Para dar forma ao projeto, Maria Antonia iniciou há oito meses a mobilização de uma extensa rede de colaboradores - entre profissionais, instituições e empresas, além de familiares e amigos de pessoas com síndrome de Down - para desenvolver o conteúdo qualificado e ao mesmo tempo acessível para este amplo universo de indivíduos.

Para Patrícia Almeida, integrante do conselho da Down Syndrome International e colaboradora do Movimento Down, esta é uma oportunidade para que as pessoas com a síndrome falem por si próprias. "Elas têm a palavra para dizer quais suas necessidades, seus sonhos e de que forma podermos ajudá-los a serem cada vez mais inseridos na sociedade."

O portal será lançado oficialmente em Brasília, onde haverá uma sessão solene no Salão Negro do Congresso Nacional. Ainda nesta quarta-feira, a Organização das Nações Unidas (ONU) realiza, em Nova York, a conferência Construindo o Nosso Futuro, com participação dos jovens da Associação Carpe Diem, de São Paulo, que foram convidados para lançar o livro Mude o seu falar que eu mudo o meu ouvir, guia de acessibilidade na comunicação para pessoas com deficiência intelectual. A publicação, primeira no gênero em todo o mundo, terá edições em português e inglês.

Breno coordena o contéudo do portal
Breno coordena o contéudo do portal
Foto: Movimento Down / Divulgação
Fonte: Especial para Terra
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