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Brasil rural

Controle de temperatura reduz perdas na armazenagem de grãos

14 mai 2013 07h14
| atualizado às 07h14
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<p>Grãos menores, como o trigo, têm controle mais difícil</p>
Grãos menores, como o trigo, têm controle mais difícil
Foto: Shutterstock

Tempo bom no plantio e na colheita não é garantia de safra lucrativa. Após a colheita, os produtores que não vendem imediatamente os grãos que produzem devem conservar os grãos em temperatura adequada para não perder o trabalho de meses. Uma temperatura elevada nos silos pode gerar pragas e, com elas, prejuízo. Estima-se que os agricultores brasileiros percam 20% da produção por armazenamento inadequado.

Segundo técnicos da área, o controle da temperatura não é tão complicado quanto parece. Os agricultores precisam estar atentos à temperatura de cada grão e fazer o gerenciamento por meio de silos, preferencialmente com software.

De acordo com Alberto Rossetto, engenheiro agrônomo da Cotrijuí, de Ijuí (RS), o uso de silos mais modernos vale a pena pelo custo-benefício do sistema de aeração forçada, que faz o controle da temperatura e é ligado nas horas mais frias do dia. “Um bom silo é mais barato do que um secador, que é usado depois da deterioração (dos grãos). Os produtores acabam ganhando depois na venda, com um grão de maior qualidade. Reduzindo a temperatura, você diminui a velocidade de multiplicação das pragas”, explica ao Terra.

Segundo Rossetto, a umidade dos grãos não pode ser superior a 14%. O excesso de umidade e de calor é o que pode levar os grãos a se deteriorarem. Rosseto diz que, quanto menor o grão, mais complicado é o controle da temperatura e da umidade. “Com o trigo, há uma dificuldade maior, porque é um grão muito pequeno. É mais difícil o ar passar pelo meio desse grão. Depois vem o milho e a soja”, conta.

O engenheiro agrônomo ainda ressalta que os critérios de escolha para a compra de um silo com sistema de aeração são similares aos de um carro: cada cliente tem preferências diferentes, e não há um único produto recomendado. “Existem sistemas que simplesmente informam a temperatura e a umidade de todos os grãos no silo e produzem um relatório. Alguns têm um alarme que avisa quando algo está errado. Outros têm um processo inteiramente automatizado, no qual o produtor literalmente não precisa fazer nada”, destaca.

Conforme o professor Moacir Cardoso Elias, da Universidade Federal de Pelotas, o resfriamento de arroz em casca também é uma forma eficaz de conservação de grãos. “A diminuição da temperatura do arroz armazenado reduz a ação dos metabolismos do ecossistema, mantendo a qualidade industrial dos grãos e dificultando o desenvolvimento de insetos”, constata Elias. Ele realizou experimentos com resfriamento de arroz seco e em casca nas instalações da Cooperativa dos Agricultores do Plantio Direto, em Pelotas, e no Laboratório de Pós-Colheita, Industrialização e Qualidade de Grãos da Universidade Federal de Pelotas.

Independentemente do sistema utilizado, o controle da temperatura dos grãos eleva a qualidade do produto e diminui as perdas pós-colheita. Assim, os especialistas aconselham o produtor a pesquisar as alternativas disponíveis e colocar em prática aquela que se adequar melhor a sua produção.

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