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12 de fevereiro de 2013 • 21h38

Venezuela corre risco de inflação alta após desvalorização da moeda

 

O bolívar, a moeda da Venezuela, foi desvalorizado em quase 32%, tornando mais caros os produtos importados, entre eles alimentos. Especialistas dizem que a medida pode fortalecer o mercado interno.

A desvalorização de 31,75% do bolívar, anunciada pelo governo venezuelano na última sexta-feira, entra em vigor nesta quarta-feira. Assim, serão necessários 6,3 bolívares para comprar um dólar. Antes eram 4,3 bolívares. Segundo o ministro venezuelano do Planejamento e Finanças, Jorge Giordini, a medida visa "minimizar as despesas e maximizar os ganhos".

Especialistas ouvidos pela DW Brasil afirmam que, no curto prazo, a medida tende a aumentar a inflação, ainda que no médio prazo ela possa contribuir para o fortalecimento do mercado interno no país, já que os produtos importados se tornarão mais caros.

A inflação anual na Venezuela gira em torno dos 20%, a taxa mais alta de toda a América Latina. "O governo Chávez não priorizou a estabilidade dos preços. O importante era a redistribuição de recursos e também o crescimento, mas principalmente a redistribuição", avalia a economista Barbara Fritz, do Instituto de Estudos Latino-Americanos da Universidade Livre de Berlim.

Segundo a especialista em economia latino-americana, o governo venezuelano também adotou medidas de controle de preços que levaram à criação de mercados negros e enfraqueceram o mercado interno, pois os produtores do país não conseguiram mais competir com os preços do mercado mundial.


Segundo a economista, a desvalorização não resolverá sozinha os problemas da economia venezuelana. "O principal deles é a concentração da economia em petróleo e mineração. Seria importante desenvolver o mercado interno", diz Fritz.

O especialista em política latino-americana Leslie Wehner, do Instituto Alemão de Estudos Globais e Regionais (Giga, em alemão), em Hamburgo, afirma que a medida terá impacto direto na sociedade.

"A inflação vai aumentar muito e isso significa que o dinheiro que os venezuelanos ganham não vai ter o mesmo poder de compra para os produtos básicos, o que vai gerar descontentamento", avalia Wehner.

Os venezuelanos sentirão, principalmente, os aumentos dos preços dos alimentos e bens de consumo. "A Venezuela é um importador de matérias-primas e de alimentos, principalmente do Brasil e da Argentina", lembra Wehner. Ele diz que o governo criará medidas para reduzir o impacto desses aumentos para a população.

Assim como Fritz, Wehner também concorda que a desvalorização é uma solução incompleta e não resolve todos os problemas.

Notícias de Chavéz
Novos rumores sobre o estado de saúde do presidente Hugo Chávez foram divulgados no fim de semana pelo jornal espanhol ABC. Segundo o periódico, o presidente venezuelano perdeu a fala e os movimentos em decorrência do tratamento de um câncer, e médicos já teriam comunicado à família e a partidários que ele não vai mais se recuperar.

Na avaliação de Wehner, o vice-presidente Nicólas Maduro e sua equipe têm administrado bem a situação e estão tomando medidas para ajustar a economia. Mas o principal problema será manter um "chavismo" pós-Chávez. "Os possíveis sucessores de Chávez não têm o mesmo carisma que o presidente", avalia.

O especialista afirma que os partidários de Chávez estão tentando ganhar tempo, pois o afastamento definitivo do presidente levará a uma ruptura no poder, já dividido entre militares, grupos mais radicais e grupos moderados.

Para ele, a vitória do chavismo na próxima eleição também não é certa. "Temos que ver o quão competitivo será um candidato do chavismo sem Chávez diante da oposição", afirma Wehner.

Deutsche Welle