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14 de outubro de 2011 • 07h49

Tetraplégicos empreendedores criam centro de recuperação

Fernanda e Felipe, tetraplégicos abriram centro de reabilitaçao
Foto: Divulgação
 
Marina Pita
Direto de São Paulo

Fernanda Fontenele sofreu um acidente de carro em 2003 que a deixou tetraplégica. Não podia mais mover nenhuma parte do corpo abaixo do pescoço. Diante da nova realidade, Fernanda frequentou centros de reabilitação, importantes para o entendimento e para a adaptação à sua condição. Mas isso não bastou, ela queria a recuperação e não encontrou nada especifico no Brasil. Em 2009, foi à Califórnia, nos Estados Unidos, se dedicar à recuperação em um local especializado.

Felipe Costa sofreu um acidente de carro em 2008 e também ficou tatraplégico. Também em busca de recuperação ficou três meses em uma clínica em Detroit, nos EUA. Mas ambos encontraram no programa Project Walk (Projeto Andar) o que entedem como o melhor que existe na recuperação de lesão na medula óssea.

De volta ao Brasil, os dois resolveram que era hora de trazer o método utilizado no Project Walk para o País. "A idéia surgiu após um bate-papo com o fundador do método, Ted Dardzinski. Discutimos a importância de o Brasil ter um tratamento inovador e específico pros lesionados medulares. Ele disse que deveríamos abrir algo aqui", conta Fernanda.

Assim, os dois foram atrás de todas as providências e perceberam que aquele era um sonho possível: "continuar nosso tratamento e poder também levar isso a tantos outros que precisam e querem se recuperar". O método de Dardzinski visa, basicamente, estimular o corpo abaixo do nível da lesão na medula e como um todo. Consiste em trabalhar em posturas e em exercícios físicos intensivos, com repetições e constância no tratamento.

Atualmente, os dois são responsávies por um centro de recuperação de lesão medular chamado Acreditando e se sentem realizados profissionalmente. "Nos sentimentos muito realizados não apenas por podermos 'pagar as contas', mas por saber que estamos proporcionando recuperação e esperança por meio de um local especializado", diz Fernanda.

Para ela, a maior satisfação que tem hoje em dia é em ver pessoas se recuperando, "pessoas que tiveram seus sonhos frustrados mas que hoje podem sonhar e lutar por aquilo que sempre quiseram". Para fazer com que o sonho e o negócio desse certo, Fernanda e Felipe estabeleceram parcerias com universidades como a Pontifícia Universidade Católica (PUC) e com a Universidade de São Paulo, que realizam pesquisas sobre o método. "Com certeza isso nos tornará referência com o tempo".

Os dois, no entanto, gostariam de poder tornar o tratamento público, algo ainda impossível. "Infelizmente, hoje o tratamento acaba limitando às pessoas que possuem uma certa condição financeira". Fernanda e Felipe são exemplos de pessoas que conseguiram empreender teno como estímulo a dificuldade da deficiência, a própria necessidade. E, apesar das adversidades, são profissionais respeitados no que diz respeito ao tratamento de tetraplégicos.

Especial para Terra