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Pentacampeã cria método para dança com cadeira de rodas

27 mar 2012
21h33
Marina Pita
Direto de São Paulo

Viviane Macedo não é dessas pessoas que você conhece e esquece. A jovem que usa muleta e aparelho ortopédico para se locomover, devido a uma seqüela da poliomelite que contraiu na infância, é a personificação da superação. Pentacampeã de dança esportiva em cadeira de rodas (2007/11) e 20ª colocada no campeonato mundial em 2010, na Alemanha, ela se destaca porque teve de construir sua área de trabalho e desenvolvê-la, não encontrou nada pronto. A jovem, juntamente com o treinador Erico Rodrigo Ferreira, elaborou um método para dança de salão com cadeira de rodas.

Viviane abriu seus próprios caminhos. Sua vida profissional começou como atendente comercial, passou a operadora de telemarketing e chegou a técnica de recursos humanos. Em 1997, no entanto, um fisioterapeuta lhe indicou o Grupo Giro, de Niterói, para fins de reabilitação. Nesta época, porém, o grupo não utilizava a cadeira de rodas, pois não contava com os recursos necessários.

A jovem, porém, já tinha familiaridade com a cadeira de rodas adaptada aos esportes, uma vez que começou a praticar basquete aos 19 anos. "Percebi que (a cadeira de rodas) poderia ser um instrumento de grandes possibilidades para minha reabilitação e me dar liberdade de movimento", explica.

Mas o processo foi difícil até que ela encontrasse o instrumento e parceria perfeitos para, em 2005, se apresentar à Rainha da Holanda Sofia, na comemoração dos 50 anos de existência do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

Foi apenas neste ano que ela conheceu Erico Rodrigo Ferreira, seu preparador técnico. "Nossa equipe começou a desenvolver métodos para trabalhar dança de salão para pessoas com deficiência, que hoje é uma grande forma integração social para as pessoas", afirma Viviane.

De lá para cá, os dois já adaptaram ritmos como salsa, tango, samba, Zouk, forró e rock para a cadeira de rodas com apresentação em empresas nacionais e multinacionais. Para ela, o trabalho é um sucesso porque "desperta no público a percepção que a superação quando aliada a técnica e ferramentas adequadas, supera barreiras e conduz a resultados estimulantes. É a beleza do trabalho em equipe".

Mas Viviane não para por aí. Além de bailarina, ela também destina parte de seu tempo ao trabalho de conscientização e inclusão social e profissional de pessoas com deficiência, em parceria com a Trade Marketing, empresa especialista no desenvolvimento de Estratégias de Responsabilidade Social e Sustentabilidade.

"Estamos utilizando a dança em três vertentes, sempre substituindo o assistencialismo por um modelo assertivo para as empresas: como mecanismo de capacitação profissional; através de estudos e conceitos de gestão que colocam a pessoa com deficiência como um consumidor esquecido pelos empresários e em treinamento e suporte para áreas de recursos humanos". Em um dos trabalhos que faz, mistura dança e palestra como forma de sensibilizar os participantes para a questão.

Mas isso não é tudo. Ela ainda mantém uma parceria com a Escola Carioca de Dança com o objetivo de integrar todas as pessoas na dança e capacitar professores para dar aula para pessoas com deficiência. "O objetivo das aulas é justamente desmistificar as barreiras físicas, colocarmos a dança próxima a todos os corpos e trabalhamos de acordo com as necessidades de cada pessoa".

Para Viviane, a dança de salão explora muito o ritmo, o contato e oferece benefício mútuo para cadeirantes ou "andantes". "Eu adoro ensinar dança, principalmente para as pessoas com deficiência, mas ainda não obtivemos todos os recursos financeiros necessários para dar oportunidades a todos".

A jovem, juntamente com o treinador Erico Rodrigo Ferreira, elaborou um método para dança de salão com cadeira de rodas
A jovem, juntamente com o treinador Erico Rodrigo Ferreira, elaborou um método para dança de salão com cadeira de rodas
Foto: Divulgação
Fonte: Especial para Terra

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