Blog do Renato Meirelles

Medicina preventiva, SUS e Planos de Saúde

28 mai

Publicado às 14h48

0 Comentários

Oito de cada dez brasileiros da classe média só procuram pelo atendimento médico quando estão com muita dor e já bastante debilitados. A constatação óbvia para esses casos é a de que essas pessoas não foram orientadas quanto da necessidade de manter um tratamento de saúde constante, independente da evidência de doenças. Neste aspecto em particular, são as mulheres, comparadas aos homens, quem possuem uma maior atenção para sua condição de saúde. As várias campanhas de conscientização contra os diferentes tipos de câncer, mas em especial contra o câncer de mama, vem contribuindo para a desmistificação da doença, e com isso, despertando-as para a necessidade da prevenção.

Para enfrentar o problema da falta de cultura da medicina preventiva, em um médio prazo, torna-se necessário um trabalho específico de orientação para que as pessoas, homens e mulheres, passem a agirem em prol da prevenção de doenças e antecipação de diagnósticos. Isso tornará melhor o padrão de vida da população em geral, evitando superlotações em hospitais e postos de atendimento emergenciais, sejam eles públicos (SUS) ou privados (rede conveniada e própria de planos de saúde).

O poder público (governos municipais, estaduais e federal) não deve, portanto, estar isento de responsabilidades. Apenas dois em cada dez brasileiros de classe baixa contam com assistência oferecida pela rede privada, por meio de convênios de saúde, pagos principalmente em conjunto com seus respectivos empregadores. A importância do SUS é ainda reforçada pelo fato de que entre todos os cerca de 50 milhões de brasileiros com planos de saúde, 43% recorreram ao SUS pelo menos uma vez, mesmo após aderir ao convênio.

Metade dos brasileiros que possuem planos de saúde pertence à Classe Média

27 mai

Publicado às 11h48

0 Comentários

A parcela de pessoas usuárias de planos de saúde na classe média é de um quarto do total. Porém, quando analisados os números pelo todo, incluindo as classes baixa e alta, verificamos que de cada dez clientes de empresas de planos de saúde, cinco pertencem à classe média. Em recente pesquisa realizada pelo Data Popular, descobrimos que quanto maior a renda, maior a percepção de saúde, ou seja, a sensação de estar vivendo saudavelmente é maior entre os brasileiros de classe alta.
O aumento expressivo do número de clientes de planos de saúde nos últimos anos, decorrente do acesso ao mercado de trabalho, tem prejudicado a qualidade de atendimento, pois as empresas não estavam preparadas para esta demanda. Os consumidores são obrigados a enfrentar filas e longos períodos de espera para serem atendidos.
É fundamental que as empresas se adequem a estas mudanças do mercado consumidor, para que isto não prejudique o atendimento e a qualidade dos serviços oferecidos.

Quando o pós-venda é ineficaz, o consumidor é quem sofre

8 abr

Publicado às 15h12

0 Comentários

 

Somado ao problema do atendimento, o cliente também sofre muito com o pós-venda. Falta um trabalho de acompanhamento e resoluções de problemas que possam aparecer posteriormente à compra. 
 
Lembro-me de uma história comovente de uma jovem que acabara de casar e realizou o sonho de comprar um guarda-roupas, sendo que anteriormente, suas roupas eram armazenadas em caixas. Ela pesquisou bastante preços e achou uma loja com uma diferença de mil reais no preço. Além disso, a vendedora também foi muito solícita e prometeu uma entrega mais rápida que nas outras lojas, que tinham a previsão de 30 dias. A vendedora prometeu em 15 dias. Satisfeita, a jovem, que chamava Heloisa aguardou o grande dia da entrega, mas não recebeu nenhuma mercadoria e sequer um telefonema da loja. 
 
Ao telefonar, foi informada de que ‘houvera um atraso’ – o que contradizia a promessa da vendedora. Também descobriu que o móvel seria entregue numa semana e montado na outra, sendo que a vendedora prometeu que em 15 dias ela estaria com o guarda-roupas montado em casa.
 
Depois de muitos telefonemas e transtornos, o armário foi entregue e montado uns 50 dias depois do prometido. Entretanto, ficaram faltando quatro gavetas. O processo para receber o guarda-roupa completo foi tão desgastante, que Heloisa teve que perder um dia de trabalho e recorrer ao Procon.
 
Infelizmente, essa é uma história que se repete com diversos consumidores em variados segmentos do varejo. O consumidor sente-se desprestigiado e ainda por cima, enganado, pois percebe que o empenho na hora de vender é máximo, enquanto o empenho na hora de solucionar algum eventual problema é mínimo.
 

Lojas de bairro ainda são as preferidas da Nova Classe Média

8 abr

Publicado às 14h12

0 Comentários

 

 Independente do segmento varejista, seja de alimentação, seja de construção civil, ou seja de vestuário, o consumidor que nos últimos anos ganhou poder de compra e respeito das empresas de modo geral, em sua maioria, opta pelas lojas instaladas no seu próprio bairro.
 
É verdade que a praticidade por estar próxima da residência contribui para isso, mas a principal razão é a pela experiência da compra. Quando está transitando pelos corredores desses pontos comerciais, o consumidor pode encontrar vizinhos, amigos e parentes, aproveitando o momento de compra para socializar, além de trocar dicas sobre a qualidade dos produtos e os preços praticados na concorrência. 
 
Em uma pesquisa realizada pelo Data Popular, constatamos ainda que o consumidor da classe média valoriza muito o preço dos produtos. Ele não admite ser enganado pelos comerciantes que praticam descontos “fictícios”, aumentando o suposto preço inicial para apresentar um valor supostamente reduzido. Se em algum momento esse consumidor identificar tal prática, além de ele não retornar tão cedo no local, irá espalhar para todos os conhecidos. Ou seja, a esperteza do comerciante será punida com a redução das vendas em um curto prazo.
 
Porém, não é só de preço baixo que vive a classe média brasileira. Ela se atenta bastante a requisitos como atendimento, localização e variedade pesam bastante. Há algum tempo conheci uma consumidora, a Jussara, que deixou de frequentar uma grande e conhecida loja de roupas depois de uma falha no atendimento. 
 
Ela me contou que foi provar uma calça, e o modelo ficou grande demais. Como estava sem roupas no provador, pediu para a atendente que ficava no recinto para buscar um número menor. Para a sua surpresa, a atendente se recusou a atendê-la. Disse que pelas normas da loja, os funcionários não poderiam deixar o recinto. Revoltada, Jussara procurou o gerente, que manteve uma postura de mãos atadas mesmo quando esta afirmou que era consumidora assídua, mas que não voltaria a comprar na loja.
 
Acredito que embora o preço seja um fator considerável na hora da compra, um bom atendimento não apenas durante a venda, mas posteriormente, faz toda a diferença. E o consumidor exigente já sabe valer os seus direitos, seja pelas redes sociais ou através dos órgãos de defesa. Nas lojas de bairro, ele encontra uma receptividade maior, e geralmente é atendido até mesmo pelo proprietário da loja. Essa aproximação, traz confiança e, consequentemente, segurança na hora de comprar. 
 

Otimismo em alta para a Nova Classe Média

20 mar

Publicado às 12h41

0 Comentários

A classe média brasileira está bastante otimista em relação ao futuro próximo. A previsão de dias melhores é ainda mais presente entre os 40 milhões de pessoas que ascenderam de classe socioeconômica nos últimos anos. Ou seja, aquela parcela da população que saiu da baixa renda recentemente e a qual nós chamamos de ‘nova classe média’.

As razões para essa sensação de otimismo estão relacionadas basicamente ao ingresso de grande contingente desse público no mercado de trabalho formal, aumento da renda e acesso às linhas de empréstimo do sistema bancário. Com a vida melhor e depois de ter aprendido a utilizar o crédito na prática, passando inclusive por momentos de descontrole financeiro, as perspectivas da classe média para 2013 são muito boas.

Em pesquisa recente identificamos a classe média confiante na melhoria da vida em geral. Oito em cada dez pessoas acham que chegarão ao final desse ano com mais dinheiro no bolso e menos dívidas, com uma saúde melhor, além de relações amorosas e profissionais mais satisfatórias. O bairro, a cidade e o país também devem melhorar nos próximos meses, para mais de 70% dos brasileiros de classe média.

Preconceito ainda é barreira quando se fala em Classe Média

5 dez

Publicado às 14h53

0 Comentários

 

A Classe Média representa a abrupta maioria de consumidores em todas as categorias de consumo: móveis e eletrodomésticos, alimentação e bebidas, roupas e calçados, entre outros. O acesso a serviços também tem a liderança deste novo consumidor, que também pode ser visto em ambientes nunca antes frequentados, como nos saguões dos aeroportos, shoppings, cinemas e academias. E essa presença maciça de consumidores com códigos diferentes contribuiu não apenas para movimentar a economia do país, mas para gerar repulsa da antiga classe média (Classes A e B) que viu seu espaço, antes exclusivo, invadido por uma superpopulação que antes ‘não existia’ na prática. Além do preconceito causado pelo aumento do número de pessoas em lugares antes restritos, a elite também demonstra preconceito em relação às diferenças cognitivas existentes entre as classes sociais. Fizemos uma pesquisa  que comprova isto. 55,3% da elite afirmou que deveria haver produtos diferenciados para ricos e pobres e 48,4% acredita que a qualidade dos serviços piorou com o maior acesso a população.
 
E esta mesma fatia social que repudia a chegada da Classe C, é aquela que está à frente das grandes empresas e agências de publicidade, o que torna mais difícil ainda atingir este público, pois para isto é preciso ter humildade e quebrar esta barreira. Os empresários precisam enxergar que há tempos a classe C deixou de ser um nicho de mercado e olhar pra ela com outros olhos, até porque ela representa 53,9% da população brasileira. São 104 milhões de consumidores ignorados, sendo que os próprios comerciais de TV são destinados para o público A/B. O grande erro é achar que a Nova Classe Média deseja ser como a Elite. Esse cara deseja sim melhorar de vida, mas não se espelha no rico, que considera perdulário, e sim no vizinho, que acabou de comprar um carro, por exemplo. Outro equívoco é querer empurrar produto baratinho e vagabundo para este consumidor. A  Classe Média valoriza cada vez mais a qualidade dos produtos que consome e não se importa de pagar um pouco a mais para garantir isto. É um mercado que trabalha muito bem com a relação de custo benefício, até porque, na hora de lavar a roupa suja, o que conta não é o preço do sabão em pó, mas a sua eficácia e durabilidade, e isso a dona de casa da Classe C sabe muito bem. Estes aspectos comportamentais fazem toda a diferença para elaborar estratégias acertadas de negócios, e por isso acredito que é preciso descer do pedestal e entrar em contato com a realidade desse público, que nós aqui do Data Popular, chamamos de Brasil de Verdade.
 

Jovens usam redes sociais para exigir seus direitos de consumidores

19 nov

Publicado às 14h30

0 Comentários

 

O acesso dos jovens à internet e aos serviços de educação, especialmente daqueles pertencentes à classe média brasileira, contribuiu para que as redes sociais se transformassem num palco de discussões, onde esse consumidor consegue fazer valer os seus direitos. 
 
A primeira pesquisa online do Data Popular,  realizada em parceria com a WebSIA, detectou que as operadoras de telefonia geraram mais de 200 mil conversas nas redes sociais em apenas seis meses. Cerca de 20% do total de conversas que de alguma forma criticavam os serviços oferecidos por essas empresas.
 
Com mais recursos para consumir, esse jovem, num primeiro momento, realizou o sonho de ter um celular de um ou mais chips. Agora, ele já consegue adquirir aparelhos mais sofisticados, e por isso, tem exigido das operadoras serviços de qualidade. Ele não admite ser enganado. São consumidores exigentes que aprenderam a importância das redes sociais como instrumento para serem ouvidos.

Classe C de Conectados

31 out

Publicado às 17h24

0 Comentários

 

O consumidor da próxima década está mais conectado, mais antenado, mais informado e compartilha mais informações. Tem uma rede social maior, e logo, sabe melhor o que quer e onde pretende chegar no futuro. 
 
Cada vez mais presentes no mundo virtual, os jovens da Nova Classe Média Brasileira tem uma sede maior de aprendizagem se comparados com seus pais. Tem uma vontade maior de conhecer novas culturas e a carreira profissional é uma de suas prioridades. 
 
Eles são os novos porta vozes dessas famílias. São eles que apresentam aos pais as novas tecnologias e a interatividade virtual. São eles os responsáveis pela compra do primeiro computador da família. 
 
Antes do mundo virtual, a Classe C sempre teve uma rede de relacionamentos maior que a elite. Ela conhece todos os seus vizinhos e geralmente tem uma relação de troca, como cuidar do filho e compartilhar alimentos. A classe C tem uma visão de comunidade, onde todo mundo se ajuda, ao contrário da Alta Renda, que tem uma visão extremamente individualista. E este traço só se aprofunda com o acesso às redes virtuais.
 
Com a chegada do primeiro computador e internet em casa, este jovem que antes buscava se conectar à internet nas lan houses, viu seu universo de relacionamentos se ampliar ainda mais com a possibilidade de acessar as redes virtuais a qualquer hora do dia. O Orkut que antes era uma ferramenta única, também cedeu lugar ao Facebook sem perder o seu espaço, o que faz com que este jovens tenha um rol de relacionamentos ainda maior. 
 
Esse e outros assuntos estarão em evidência no 1º Forum Novo Brasil, que acontecerá dias 12 e 13 de Novembro, no WTC Sheraton de São Paulo. Mais informações podem ser obtidas pelo site http://forumnovobrasil.com.br/. 

TV: a babá eletrônica da Classe Média Brasileira

16 out

Publicado às 16h50

0 Comentários

Além de tida como forma de entretenimento para a Classe Média, a TV é uma estratégia para manter a família unida e os filhos mais tempo dentro de casa. As saídas de fim de semana ao cinema, que demandavam condução ou gasolina, cinema, pipoca e jantar para toda família, foram equilibradas com a mensalidade da TV paga, que representa quase metade da diversão coletiva e oferece uma infinidade de opções de filmes dublados e garante a diversão familiar. No Brasil, estes consumidores já representam quatro em cada dez dos que possuem TV paga. 

E são eles que adoram um filme estrangeiro, mas detestam legendas. A grande maioria sempre opta pelas versões dubladas. Portanto, na hora de procurar o melhor pacote de TV, com certeza levará este fator em consideração. O custo benefício é primordial para esta camada populacional que é exigente e sabe o que é melhor para sua família. Ele não vai escolher apenas pelo preço, vai escolher pelo conteúdo de interesse e quantidade de programações. 

 

Participação de universitários mais velhos aumenta em dez anos

9 out

Publicado às 18h47

0 Comentários

O número de universitários no Brasil cresceu bastante nos últimos dez anos. Se em 2002, havia 3,5 milhões de estudantes matriculados em instituições de ensino superior, públicas e privadas, esse ano encontramos 6,2 milhões. Entre as causas desse aumento estão, desde a ampliação das vagas disponíveis em universidades mantidas pelos governos até a oferta de linhas de crédito para o pagamento das mensalidades em instituições particulares.

Porém, o que merece destaque no estudo denominado “Dossiê Universitário”, do Data Popular, é o desejo dos brasileiros por qualificação. Os números mais emblemáticos referem-se à composição, por faixas etárias, dos matriculados nas universidades brasileiras. No período, houve uma expansão do percentual de estudantes com mais de 23 anos sob o total. Boa parte deles, inclusive, trabalhando.

Outro dado importante na pesquisa é o que mostra o interesse dos universitários pelo empreendedorismo: cinco em cada dez afirmam pretender abrir um negócio próprio.

 

perfil do autor

Antes de tudo um curioso. Comunicólogo e pesquisador é sócio diretor do instituto Data Popular, empresa especializada no conhecimento dos consumidores das classes C e D.