Oito de cada dez brasileiros da classe média só procuram pelo atendimento médico quando estão com muita dor e já bastante debilitados. A constatação óbvia para esses casos é a de que essas pessoas não foram orientadas quanto da necessidade de manter um tratamento de saúde constante, independente da evidência de doenças. Neste aspecto em particular, são as mulheres, comparadas aos homens, quem possuem uma maior atenção para sua condição de saúde. As várias campanhas de conscientização contra os diferentes tipos de câncer, mas em especial contra o câncer de mama, vem contribuindo para a desmistificação da doença, e com isso, despertando-as para a necessidade da prevenção.
Para enfrentar o problema da falta de cultura da medicina preventiva, em um médio prazo, torna-se necessário um trabalho específico de orientação para que as pessoas, homens e mulheres, passem a agirem em prol da prevenção de doenças e antecipação de diagnósticos. Isso tornará melhor o padrão de vida da população em geral, evitando superlotações em hospitais e postos de atendimento emergenciais, sejam eles públicos (SUS) ou privados (rede conveniada e própria de planos de saúde).
O poder público (governos municipais, estaduais e federal) não deve, portanto, estar isento de responsabilidades. Apenas dois em cada dez brasileiros de classe baixa contam com assistência oferecida pela rede privada, por meio de convênios de saúde, pagos principalmente em conjunto com seus respectivos empregadores. A importância do SUS é ainda reforçada pelo fato de que entre todos os cerca de 50 milhões de brasileiros com planos de saúde, 43% recorreram ao SUS pelo menos uma vez, mesmo após aderir ao convênio.
