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25 de outubro de 2012 • 07h36

Projetos com etanol de segunda geração avançam no Brasil

Os estudos para utilizar o etanol de segunda geração, produzido a partir da palha e do bagaço da cana de açúcar, estão evoluindo no país
Foto: Getty Images
 

As pesquisas em torno do chamado "etanol de segunda geração", ou etanol celulósico, produzido a partir da palha e do bagaço de cana-de-açúcar, estão evoluindo rapidamente no Brasil. Há vários estudos em andamento, como, por exemplo, os desenvolvidos pelo Programa Fapesp de Pesquisa em Bionergia (Bioen), iniciado em 2008, que vem aprimorando as tecnologias relacionadas à geração de energia de biomassa.



"Projetos pilotos realizados nos próximos dois anos irão permitir uma tomada de decisão quanto a melhor tecnologia a ser utilizada pelo país em relação à produção de etanol de segunda geração", diz Gláucia Mendes Souza, doutora em bioquímica pelo Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP) e coordenadora do Bioen.



Segundo ela, o Brasil apresenta todas as condições para produzir o etanol celulósico de forma sustentável e economicamente competitiva. "Os estudos e a avaliação em escala piloto trarão respostas para várias questões que atualmente precisam ser melhor esclarecidas. Essas dúvidas passam pelas etapas de pré-tratamento e hidrólise, inclusive com custos mais acessíveis das enzimas (responsáveis por transformar a palha e o bagaço em álcool)", explica a pesquisadora.



Hoje, o etanol só é fabricado a partir da sacarose, que corresponde a um terço da biomassa da cana. Assim, a produção de etanol celulósico permitiria aproveitar os outros dois terços da biomassa, aumentando consideravelmente a produção sem alternar a área ocupada com cana-de-açúcar. Porém, diferentes pesquisas já realizadas mostram que, atualmente, o custo de produção do etanol celulósico ainda é 50% maior que o de produção do etanol convencional.



Na avaliação de Gláucia, paralelamente aos estudos em laboratório, são necessárias avaliações em escala piloto, para identificação de possíveis gargalos no desenvolvimento do processo tecnológico. "Estas avaliações estão sendo feitas com aplicações das diferentes tecnologias e se constituem em etapas importantes para a tomada de decisões no que se refere ao desenvolvimento de plantas de escala industrial", enfatiza.



A pesquisadora do Bioen diz que, no momento, existem vários projetos piloto de etanol celulósico saindo do papel, a maioria deles inseridos dentro do Plano de Apoio à Inovação Tecnológica Industrial dos Setores Sucroenergético e Sucroquímico (PAISS), que recebe recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). "Pelo vigor das empresas envolvidas nesses projetos, acredito que, em um período de 3 a 4 anos, o Brasil terá condições de avaliar rotas em escalas que permitam decisões maduras em relação à construção das primeiras plantas em escala industrial no País", prevê.



Economídia
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