Economia

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29 de março de 2012 • 00h03 • atualizado às 12h36

Produtos eróticos vendem mais de 90 milhões de itens em 2011

Segundo a Abeme, em 2011 o setor cresceu 18,5% em faturamento. A alta foi puxada pelo aumento do canal de venda porta a porta
Foto: Divulgação
 

Apesar do tabu e preconceito que nichos ligados ao sexo ainda sofrem, o chamado mercado erótico e sensual avisa que vai muito bem, obrigado: em 2011, cresceu 18,5% em faturamento e chegou à média mensal de 7,5 milhões de artigos comercializados, ou 90 milhões por ano, segundo a Associação Brasileira das Empresas do Mercado Erótico e Sensual (Abeme). Entre os itens vendidos pelo segmento estão lingeries sensuais, cremes íntimos, óleos de massagem, próteses e vibradores.



"A linha que separa uma lingerie convencional de uma sensual é sutil. O que determina se um produto faz parte do nosso mercado é se ele exerce uma função mais 'picante'. Um exemplo: um cartão de casamento pode ser considerado do mercado erótico se contém frases como 'obrigada pelos 10 anos de amor e sexo caliente' ", explica Paula Aguiar, presidente da Abeme.



A expansão do segmento no ano passado, segundo Paula, foi impulsionada pela venda por catálogo - semelhante à praticada por empresas de cosméticos. A presidente conta que com o estreia do filme

De pernas para o ar 2

- em que um dos personagens é uma consultora que promove encontros de mulheres para a venda de produtos eróticos -, o canal de venda porta a porta ganhou ainda mais força. "Para 2012, a expectativa é que esse patamar não seja mantido, já que dificilmente haverá um boom como o provocado pelo filme. De qualquer maneira, a estimativa de 15% de crescimento no ano é boa", diz Paula.



De acordo com a Abeme, 80% dos distribuidores e lojas que comercializam produtos eróticos e sensuais são micro e pequenas empresas. Nesse percentual estão incluídas sex shops, boutiques sensuais (espaços dedicados exclusivamente a mulheres) e lojas tradicionais que mantêm um espaço dedicado a essas mercadorias. Já entre as fabricantes, companhias de porte médio formam a maioria.



Paula diz que o consumidor brasileiro tem hábitos comedidos em se tratando de produtos sensuais. Para comprovar a sua tese, ele conta que dos 7,5 milhões de itens eróticos vendidos mensalmente no País, 5 milhões são cosméticos sensuais (óleos, gel e cremes estimulantes). "Apesar de o mercado nacional ter 30 anos, ela ainda é jovem se comparado ao americano. O brasileiros, pelo pudor, consome com mais frequência os itens mais básicos do segmento. Vibrador, por exemplo, ainda é tabu", afirma.



Por isso, não surpreende saber que lidar com o preconceito seja um dos maiores desafios para quem tem um negócio no ramo. Segundo Paula, parte desse preconceito vem do mundo corporativo. Ela cita como exemplo instituições bancárias que emperram o acesso a serviços, quando descobrem que se trata de um sex shop. E também o fato de a Erótika Fair, maior feira do segmento e a quarta maior do mundo, não ter patrocinadores de peso.



Apesar dessas dificuldades, ela vê com otimismo o futuro deste nicho. "O mercado tem fôlego para crescer. O que não cabe mais neste segmento é o amadorismo." Ela explica que há 10 anos quem entrava no segmento eram empreendedores que gostavam do assunto e tinha familiaridade com o tema, mas não necessariamente perfil de gestores. Hoje a realidade é outra. "É preciso, cada vez mais, profissionalismo, conhecimento de metodologias de administração, visão de negócio, capacitação. São esses itens que impulsionam as empresas a serem mais competitivas e lucrar mais", afirma.



Na opinião da presidente, gostar do assunto e de falar sobre sexo sem rodeios continua sendo fundamental para alcançar sucesso. "Quem consome produtos eróticos e sensuais vê o comerciante como um especialista em sexo - aquele que dá conselhos, que explica como usar os produtos, como proporcionar prazer ao parceiro ou à parceira. O segredo do sucesso não é só a qualidade dos produtos, mas também a prestação de serviço", esclarece. Nesse sentido, a timidez atrapalha quem tem de falar sobre um produto, pegar, ensinar como se usa. "É preciso, ainda, conhecer a sexualidade humana e ser bem resolvido com a sua própria", afirma Paula.



Menu dos Prazeres

Depois de discutir com o marido e um casal de amigos que "facilitaria a vida" encontrar brinquedos eróticos em um motel, Jaqueline Almeida decidiu investir naquilo que ela chama de "um nicho de mercado a ser preenchido". Assim, em 1997 ela criou a Menu dos Prazeres - fábrica e distribuidora ao mesmo tempo de produtos eróticos. No começo, os clientes eram motéis que, aos poucos, foram convencidos pela ideia ousada - pelo menos na época - de colocar à disposição dos clientes fantasias, próteses e itens de cosmética íntima.



"No começo, cheguei a ouvir coisas do tipo 'isso aqui é um motel de família' como explicação para a negativa de comprar os meus produtos", conta Jaqueline. Conforme o negócio ganhou corpo e tabus foram quebrados, a empresa prosperou. Em 2011, cresceu 30%. A meta para 2012 é crescer 40%. Para tanto, a empresa vai investir em novidades. "O setor é movido pela inovação. O mercado nacional ainda é incipiente se comparado aos dos Estados Unidos, da Europa e da Ásia", afirma.



Agora, além dos motéis, as sex shops e as fabricantes de lingerie também compram da Menu dos Prazeres. De tudo o que a empresa comercializa, 70% das vendas são de óleos, cremes e itens menos ousados. "A pessoa começa pelo creme, depois vai para a fantasia, e, quem sabe, chegue a comprar um vibrador e ou uma prótese", afirma Jaqueline.



A executiva afirma que ter conhecimento do mercado de atuação e dos melhores produtos disponíveis é essencial para quem deseja empreender na área. Já com relação à desinibição, ela acredita que não necessariamente o dono do negócio precisa ser do tipo "despachado", mas que é o vendedor ter esse perfil. "Você precisa vender um produto erótico como se estivesse comercializando uma receita de bolo. Tem de conhecer muito bem o produto, a forma de usar. Não dá para ter vergonha de explicar", resume.



Para quem quer conhecer o mercado a fundo, a Abeme possui quatro livros sobre o assunto e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) montou uma cartilha mostrando como abrir uma sex shop.



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