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Pré-sal não é passaporte para o futuro, diz Fábio Feldmann

26 mar 2011
13h34
atualizado às 15h39

O ex-secretário de meio ambiente de São Paulo e candidato ao governo do mesmo Estado em 2010, Fábio Feldmann, afirmou neste sábado que o Brasil deve implantar uma "agenda do século XXI" em relação a projetos de desenvolvimento econômico e metas para diminuir a emissão de carbono na atmosfera - uma agenda na qual não faz sentido a euforia e todo o investimento com a exploração do petróleo no pré-sal, já que o mundo procura atualmente alternativas para os combustíveis fósseis.

Feldmann criticou o excesso de esperança na exploração da camada do pré-sal
Feldmann criticou o excesso de esperança na exploração da camada do pré-sal
Foto: Gustavo Scatena / Especial para Terra

"O Brasil está 'de quatro' pelo pré-sal, mas tenho muita dúvida sobre isso. Um país que acredita que o combustível fóssil será seu passaporte para o futuro não está de acordo com um mundo que busca outras fontes de energia", afirmou o ex-deputado federal no último dia do 2º Fórum Mundial de Sustentabilidade, realizado em Manaus, com a presença do ator Arnold Schwarzenegger, do cineasta James Cameron, do empresário Richard Branson e de especialistas no tema.

Feldmann chamou atenção para os riscos ambientais da exploração do óleo em grande profundidade na costa brasileira e pediu um plebiscito para saber se a população que vive próxima a áreas de perfuração está disposta a enfrentar os riscos de um acidente, como o vazamento que ocorreu no Golfo do México em 2010. "É um compromisso democrático consultar a população. Estou falando como cidadão, não como ambientalista", disse.

De acordo com ele, o Brasil é o quinto maior emissor de carbono na atmosfera, principalmente por causa do desmatamento da Amazônia. Para evitar o aquecimento global, o consultor acredita que tanto empresários como consumidores e governo devem adotar um novo conjunto de temas discutidos e preocupações - a chamada "agenda do século XXI". "O tema da água será um dos mais estratégicos para o setor empresarial. Ele vai ter que informar quanto de água vai no produto que está colocando à venda. A agenda traz riscos e oportunidades. Os riscos são para os setores que não tiverem compreensão da mudança", disse.

Dentro dessa visão, o governo poderia começar realizando "licitações sustentáveis" e usar os impostos para tornar os produtos sustentáveis mais acessíveis com relação a preço, segundo Feldmann. "Não tem cabimento o governo não comprar uma lâmpada eficiente. A tributação também tem que ser usada para baratear os produtos sustentáveis - a lâmpada mais eficiente tem que custar menos que a outra", completou.

Itacaré
Para mostrar que os líderes do País ainda têm uma visão "do século XX", Feldmann citou o exemplo de um projeto planejado pelo governo da Bahia na região de Itacaré, de grande biodiversidade e potencial para o ecoturismo. "O governo da Bahia pretende promover o desenvolvimento na região da mata atlântica, por meio da exploração de minério de ferro quase na fronteira com Tocantins, a construção de uma ferrovia para transportar o minério e um porto que será implantado em área de preservação ambiental. Isso é visão do século XX. A mina de ferro tem expectativa de vida de 20 anos. O que vai fazer com tudo isso depois de explorado?", questionou.

Fonte: Terra
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