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Por gás, moradores fecham janelas de casas próximas ao leilão do pré-sal

21 out 2013 - 13h51
(atualizado às 14h48)
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Paulo Martins de Oliveira e Batista Antônio ficaram em um quiosque durante a manifestação
Paulo Martins de Oliveira e Batista Antônio ficaram em um quiosque durante a manifestação
Foto: Cirilo Junior / Terra

O conturbado cenário de tiros de borracha e gás lacrimogênio no ar chegou à Barra da Tijuca, bairro nobre da zona oeste do Rio de Janeiro, e alterou a rotina dos moradores da região, que vivem em condomínios de classe média alta. O cerco ao hotel Windsor, onde acontecerá o primeiro leilão de uma área de exploração da camada pré-sal, fez com que alguns deles fechassem a janela de seus apartamentos para evitar a irritação causada pelas bombas que se espalham pelo ar. Foi o caso da secretária Sandra Franco, moradora do condomínio Barra Palace, situado exatamente ao lado do hotel.

"Minha mãe tem 95 anos, e começou a ficar desesperada quando começou a confusão lá fora. Os barulhos de tiros e bombas a apavoraram, e o gás que se espalhou começou a irritar nossos olhos. Tive que fechar as janelas de casa", afirmou.

Ela diz que o forte cerco montado por homens das Forças Armadas e da Força Nacional incomoda e atrapalha a rotina dos moradores. Para passar pela barreira montada desde ontem, Sandra tem que levar um comprovante de residência e se identificar numa listagem prévia. Por isso e pelos distúrbios que já vêm ocorrendo desde cedo, ela evitou sair de casa nesta segunda-feira.

"E isso tudo só deve acabar pela meia-noite, que é o horário previsto para esse cerco acabar. Até lá, nossa vida não voltará ao normal. Está muito perigoso sair de casa", observou.

Também nas proximidades do hotel, o publicitário Batista Antônio e o comerciante Paulo Martins de Oliveira tentavam manter a rotina de uma segunda-feira de manhã de folga. Em meio ao barulho de bombas e o incômodo que o gás espalhado causa, dividiam tranquilamente uma cerveja do lado de fora de um restaurante situado a poucos metros do hotel, dentro da área cercada. Eles admitiram que as bombas chegaram a atrapalhar um pouco, mas acharam uma solução inusitada para aliviar a irritação nos olhos.

"Tive que passar cerveja nos olhos para melhorar um pouco. É verdade!", garantia Paulo Martins.

Batista Antônio lamentava não poder curtir uma manhã na praia, num dia de forte calor e sol no Rio de Janeiro. Ele costuma jogar vôlei na rede Barra Vôlei 75, situada em frente ao hotel.

Policiais atiram contra quiosque onde imprensa se abriga:

"Jogo vôlei aqui há décadas. Sou o presidente desta rede. Fomos impedidos de jogar. Acho que o vôlei não teria problema", opina ele, que diz ser a favor de que as pessoas se manifestem, mas reclama que deve haver identificação e prisão de quem comete atos de vandalismo.

Para se chegar ao local do leilão, é preciso passar por duas fortes barreiras de segurança. A primeira é formada por homens da Força Nacional. Logo à frente, dezenas de soldados do Exército fazem um segundo bloqueio. Um navio da Marinha também policia as águas, na área em frente ao hotel.

Executivos de empresas que vão concorrer no leilão circulam pelo lobby do hotel, mas evitam falar com a imprensa. A maior parte deles dormiu no local, evitando a confusão que já estava prevista, devido aos manifestantes que são contrários ao evento. 

Fonte: Terra
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