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Economistas avaliam queda do câmbio e alta da dívida cambial

18 dez 2013
07h10
atualizado às 14h37
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Quando o Banco Central tenta segurar a cotação do dólar, com a venda da moeda no mercado futuro, está exposto a riscos como a desvalorização do câmbio, que pode levar ao aumento do nível da dívida cambial. É justamente o que ocorre no Brasil, cuja dívida mobiliária interna, composta de títulos públicos atrelados ao câmbio, chegou a níveis recordes em outubro: R$151,87 bilhões, maior valor desde janeiro de 2004, quando chegou a R$155 bilhões.

Segundo o professor do curso de Ciências Econômicas da FAE - Centro Universitário, de Curitiba, Túlio Moreno Sávio, a dívida cambial permanece estável, pois não aumentou a contração de empréstimos através do câmbio. “O problema é que houve a desvalorização do câmbio, que passou sobre o valor da dívida.” O economista da Tendências Consultoria, Felipe Salto, destaca que a dívida mobiliária interna é praticamente zerada, mas as operações de swap do Banco Central, nas quais ocorrem vendas de títulos públicos atreladas ao câmbio, influenciam a dívida cambial e expõem o BC a riscos: “é um verdadeiro quadro negativo que essa situação revela. Está nas mãos do Banco Central gerenciar o controle da inflação.” 

Sávio destaca que ao final do ano há uma tendência natural de saída do fluxo de capital. “O recorde foi devido à emissão de títulos atrelados à dívida para segurar a desvalorização do câmbio.” Estas operações ocorrem quando o Banco Central observa que estão saindo fluxos internos na conta de capital da balança de pagamento, como remessa de royalties e lucros que empresas externas produzem no Brasil e precisam resgatar por falta de lucro no próprio país. Neste sentido, naturalmente há uma prática de swap, reativa, para reparar essa desvalorização do dólar que poderá causar inflação. “Além da desvalorização do dólar, é preciso pensar que no final do ano tem essa demanda e aumenta mais ainda a inflação. Para conter a inflação, o BC faz o swap e aumenta a dívida atrelada ao câmbio.”

Para Salto, o impacto do ponto de vista econômico na vida das pessoas é que há um aumento do custo fiscal, associado à exposição do BC a uma maior dívida cambial. “Se o câmbio continuar desvalorizando, esse custo vai aumentar e o resultado fiscal do governo piora, como vem piorando nos últimos meses.” Os títulos emitidos, portanto, viram dívida fiscal. “O tesouro nacional vai ter que emitir recursos para pagar essa dívida, então há um impacto no aumento da Dívida Pública Fiscal”, explica Sávio. O aumento na dívida mobiliária interna, portanto, é uma das origens do aumento da Dívida Pública Fiscal e da taxa de juros interna, o que pode acarretar em menos espaço no orçamento público.

Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra
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