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Crowdfunding brasileiro recebe apoio do exterior

30 set 2013
07h31
atualizado em 3/10/2013 às 10h04
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Foi-se o tempo em que era preciso bater de porta em porta para buscar investimento e executar um projeto. Os sites de financiamento coletivo vieram para facilitar esse processo de captação de recursos e são cada vez mais comuns no Brasil, chamando a atenção inclusive de apoiadores estrangeiros.

O chamado crowdfunding, termo em inglês que significa arrecadação de multidão, tem como objetivo ajudar a financiar iniciativas diversas. Qualquer pessoa pode doar quantias em dinheiro a projetos que chamarem atenção nos sites, recebendo pela doação recompensas não financeiras.

Em um dos mais bem-sucedidos sites de arrecadação no Brasil, o Catarse, no ar desde janeiro de 2011, o idealizador cadastra o projeto no site e aguarda a avaliação de acordo com os pré-requisitos de criatividade, oferecimento de benefícios coletivos e recompensas para quem doar. É preciso ainda definir bem os objetivos e a forma de utilização do dinheiro, além de não ser um projeto de caridade (há outros sites que aceitam esse tipo de iniciativa). Segundo o coordenador de comunicação do Catarse, Felipe Caruso, a avaliação é bem rigorosa: apenas cerca de 30% dos projetos enviados vão ao ar, só podendo participar projetos de brasileiros. Após o projeto ser aprovado, ele é aberto para a arrecadação, e o autor só recebe o dinheiro se for atingida meta no tempo determinado. O Catarse fica com 13% do valor arrecadado dos projetos bem-sucedidos. Se o projeto não atingir a meta, quem doou pode ficar com créditos para ajudar outro projeto ou pedir o estorno do valor doado.

Dentre os projetos que vão ao ar, muitos deles atingem a rede de contribuidores que não conhecem o idealizador, entre eles estrangeiros. Segundo Felipe, já contribuíram com projetos 1.746 apoiadores do exterior, totalizando uma quantia de R$ 222.619. O número geral do Catarse é de 86 mil apoiadores, totalizando R$ 10,6 milhões em doações. Para Felipe, o crowdfunding é uma ferramenta que facilita a divulgação de projetos brasileiros no exterior. “A captação de recursos acaba sendo facilitada, porque faz uso de uma ferramenta online, que traz vantagens na hora de fazer campanhas de divulgação da ideia. Os idealizadores já buscam essa ajuda no exterior, disponibilizando versões em inglês da descrição do projeto”, conta. As contribuições são feitas por meio do Paypal, ferramenta de pagamento online, como uma compra regular. Felipe garante que o Catarse nunca teve problemas com fraudes de pagamentos vindos do exterior.

Dentre as principais categorias que chamam a atenção dos estrangeiros estão as de música, cinema e comunidade - as mesmas de maior interesse nacional, além de design. O documentário Belo Monte - Anúncio de uma Guerra, que fala sobre a construção da Usina de Belo Monte no Pará, na categoria de cinema e vídeo, foi um dos projetos bem-sucedidos que mais tiveram apoio do exterior, por conta do interesse internacional que o tema desperta. Do total dos R$ 140 mil arrecadados para o projeto, R$ 7.111 foram doados por 162 apoiadores estrangeiros.

A banda carioca Forfun também teve seu projeto de gravar um DVD ao vivo no Circo Voador, no Rio de Janeiro, apoiado por estrangeiros. Do total de R$ 187 mil doados ao projeto, R$ 8.830 foram doados por 78 apoiadores de fora do Brasil. Na categoria de design, o projeto de um aplicativo de design para tablets, do designer gráfico Ricardo Gimenes, chamado Vectorlooza, arrecadou R$ 8.156 de 61 estrangeiros, do total de R$ 21,7 mil do projeto. Dentre os países que mais tem usuários navegando no site estão os Estados Unidos, Portugal e Alemanha.

Para Fabrício Milesi, do Vakinha.com, que publica não só projetos criativos, mas diversas arrecadações possíveis, a demanda de doadores do exterior não é suficiente para cobrir os riscos de receber pagamentos de fora. “O que acaba contando é a capacidade de avaliar uma transação internacional, que é menor do que em nacionais. A tendência é que as empresas de pagamento minimizem cada vez mais essa insegurança por fraudes. Se elas ofereceram uma solução mais segura no futuro, é uma tendência natural que o Vakinha passe a receber essas doações e que isso se torne cada vez mais comum no Brasil”, afirma.

Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra
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