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Canadá começa a eliminar moedas de um centavo do mercado

23 abr 2013
07h07
atualizado às 07h07
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"A penny for your thoughs." Desista. Nenhum pensamento poderá ser vendido por tão barato, pelo menos não no Canadá. A típica expressão da língua inglesa começa a perder o sentido desde que o governo canadense anunciou a eliminação gradativa da moeda de um centavo de seu economia. Em fevereiro deste ano, o Royal Canandian Mint (instituição equivalente à Casa da Moeda) parou de distribuir as moedinhas com o rosto da Rainha Elizabeth II.

<p>Estados Unidos tamb&eacute;m estudam a possibilidade de eliminar as moedas de um centavo da economia</p>
Estados Unidos também estudam a possibilidade de eliminar as moedas de um centavo da economia
Foto: Shutterstock

O adeus às pennies tem uma razão simples. Como não se pode mais usar um centavo de dólar canadense para comprar bens, ela acaba sendo útil somente para troco ou é esquecida em gavetas, criando um problema para o governo. Como a moeda custa 1,6 centavo para ser fabricada - um pouco mais do que ela vale -, a suspensão de sua fabricação deve poupar do governo o gasto de 11 milhões de doláres canadenses por ano.

O Canadá seguiu o caminho de outros países que também deram fim às unidades de moeda de menor valor. A revista The Economist lembra que Grã-Bretanha, França, Espanha, Suécia, Noruega, Dinamarca, Austrália e Nova Zelândia tomaram essa decisão há alguns anos. O coordenador do núcleo de Economia Empresarial da ESPM-Sul, Fábio Pesavento, afirma que há uma tendência a usar meios eletrônicos, como o cartão de crédito e até aplicativos, para efetuar pagamentos.

No Canadá e nos Estados Unidos, estas são práticas comuns e acabam, em alguns casos, inutilizando as moedinhas. "Essa medida é muito mais uma questão de crescimento do uso de dinheiro eletrônico do que qualquer outra coisa. Resumindo, é uma ação de simplificação e para reduzir os custos para o governo", afirma Pesavento.

O professor da ESPM-Sul acredita que o impacto dessa decisão na economia é mínimo, se o objetivo era conter a inflação. "Se o governo quer realmente combater a inflação, ele vai tomar outras medidas mais sérias, como reduzir os gastos e aumentar a taxa de juros", afirma. Ele acrescenta, entretanto, que esta não é uma preocupação atual de países como Canadá e Estados Unidos, que também cogita o fim da 1 cent penny. "A moeda é uma questão secundária. Eles estão mais preocupados com o desemprego", acrescenta.

No país que ainda passa por uma situação difícil devido a crise, a moeda com o rosto do presidente Lincoln pode representar um peso para o governo. Uma pequena moeda custa US$ 0,024 para ser fabricada. O professor do Núcleo de Estudos Internacionais (NEI) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Mauricio Metri, acredita ser bastante provável a aplicação dessa medida também na economia de Barack Obama. "Os Estados Unidos não são um país tão homogêneo quanto o Canadá, onde provavelmente quase toda população tem acesso às práticas mais modernas de realização de pagamentos. Mas poderá haver entre as autoridades americanas o entendimento de que determinados valores de sua unidade monetária não se fazem mais necessários", avalia.

O professor da UFRJ também vê isso como uma tendência nas economias atuais. "Se trata de um processo relacionado ao desenvolvimento da forma como se estruturam os sistemas de pagamentos hoje, com base em tecnologias que têm permitido a redução do espectro de valores da unidade monetária", opina Metri.

Versão brasileira

Apesar de ainda não ter sido completamente tirada de circulação, as moedas de R$ 0,01 no Brasil já tiveram sua produção reduzida a partir de 2005. Segundo o Banco Central, ela atingiu uma quantidade de volume adequado em circulação: mais de 3 bilhões de unidades. Muitas, porém, perdidas nas gavetas de meias, entre as almofadas do sofá e nos cofres em forma de porquinhos. Conforme a Casa da Moeda, o custo de produção de R$ 0,01 é ainda mais alto - de R$ 0,16 por unidade.

Mesmo com a disseminação dos cartões de crédito no País, Pesavento ainda vê a moeda de pequeno valor como uma necessidade. "Aqui a gente poderia ter problemas. As pessoas de baixa renda ainda usam somente dinheiro. Então, no final do ano, essas moedas de R$ 0,01 podem fazer a diferença", observa.

Hora do troco

As pennies são úteis no momento de dar o troco no supermercado, no armazém da esquina, na padaria. Mas e o que fazer quando elas ser tornam ausentes na caixa registradora? O Royal Canandian Mint elaborou uma forma para tentar deixar as transações no comércio mais justas. Quando o valor for 1,01 ou 1,02 e 1,06 ou 1,07 dolár canadense, ele será convertido para baixo, ficando 1,00 e 1,05 dólar, respectivamente. Já se o valor em questão for 1,03 ou 1,04 e 1,08 ou 1,09 dólar canandense, ele será elevado para atingir 1,05 e 1,10, nesta ordem. O sistema trabalha, portanto, somente com as moedas de 5 e 10 centavos.

Segundo o Procon, não existe uma lei específica que trate do troco no comércio, a não ser no caso de passagens no transporte coletivo. Mas o Código de Defesa do Consumidor dispõe que no caso da falta de moeda de R$ 0,01, o troco deve favorecer o consumidor. Por exemplo, se o valor do troco for R$ 3,53, e a empresa não tem moedas para devolvê-lo precisamente, ela deve entregar R$ 3,55 ao cliente, ou seja, o valor mais próximo e superior.

Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra

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