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Para especialista, Mint não ameaça Brasil a curto prazo

17 jan 2014
07h15
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Baseado nas melhores performances de crescimento econômico e retorno de investimentos financeiros e estrangeiros diretos nos últimos anos, o ex-presidente de gestão de ativos globais da Goldman Sachs, Jim O’Neill, escolheu quatro novos países para formar a sigla MINT - México, Indonésia, Nigéria e Turquia. Em 2001, o economista foi o responsável por criar o acrônimo BRICS, formado pelos países emergentes Brasil, Rússia, índia, China e África do Sul.

Segundo o professor de economia internacional do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec) e da Universidade Columbia, Marcos Troyjo, os países do Mint têm crescido mais em termos de PIB do que os do Brics, com exceção da China. No entanto, ainda não tem potencial para se tornarem mais fortes que o Brasil. “A curto prazo, nenhum deles têm potencial de se tornar uma economia grande como o Brasil, que é o segundo maior mercado emergente do mundo”, diz.

O economista, porém, explica que os membros do Brics podem enfraquecer se a potência China perder o interesse em comercializar com eles, caso seu crescimento diminua, e invista em negócios com Estados Unidos e Europa. Para evitar a perda do interesse, Troyjo elenca três ações essenciais. “O Brasil precisa de reformas estruturais de trabalho, impostos e seguridade social. Também precisa melhorar o sistema de infraestrutura e logística nacional. Para abrir uma empresa aqui, existe uma demora de 90 dias. O ambiente para fazer negócios precisar avançar. Por fim, o País não possui acordos comerciais, enquanto o México, por exemplo, já construiu mais de 40 acordos desde sua entrada no NAFTA”, conclui.

Conheça os motivos de cada país estar no Mint:

México
A economia mexicana sofreu com o período em que os Estados Unidos transferiu seus investimentos para a China, em virtude do menor custo de produção. Porém, a massa salarial chinesa está crescendo e aumentando os custos, fato que pode beneficiar o México, se voltar a receber investimentos americanos. Em relação ao Brasil, é o país que mais pode influenciar na economia, pois geralmente oscila da 10ª a 12ª posição no ranking de parceiros comerciais brasileiros.

“A economia mexicana é mais organizada para competir em termos internacionais do que a brasileira, pois possui mais acordos comerciais. Seu PIB como resultado de importação e exportação é de 50%, enquanto o brasileiro é cerca de 19%.

Para atrair investimentos estrangeiros, o México também se destaca. Troyjo explica a vantagem pela participação do país no Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (NAFTA), pelo vínculo com a Parceria Transpacífica, pela carga tributária de 26% do PIB nacional, enquanto no Brasil é 36%, e pelos investidores enxergarem o México como uma plataforma de exportações para terceiros mercados.

Indonésia
A indonésia configura um grande mercado, de 250 milhões de pessoas, tendo crescido mais de 6% ao longo dos últimos anos. Segundo Troyjo, o país ganhou muito com a mudança estrutural da China, que aumentou a massa salarial dos chineses, como um modo de aumentar o poder de compra dos trabalhadores. Com a mudança, atividades econômicas como a indústria de máquina e equipamentos, de plásticos, a indústria petroquímica e bens de capital migraram para a Indonésia.

Nigéria
A economia da Nigéria é beneficiada pela explosão do comércio de petróleo, gás e derivados de energia. É o mais importante ator do setor energético na África, fornecendo para a China. Para Troyjo, o sucesso do país africano depende de construir uma indústria competitiva em outros setores além do energético. “A vantagem da Nigéria é que conta com um capital excedente vindo do setor de energia, que pode ser investido em setores como educação”, conclui.

Turquia
A Turquia possui uma população educada, renda per capita de quase US$ 18 mil e está bem localizada, nas portas da Europa. Essencialmente, seu comércio internacional acontece na Europa, comercializando, principalmente, bens de equipamentos, petróleo e tecidos. O turismo, considerado exportação de serviços, também é considerável. “O que causa tensão é que o país é indeciso na hora de decidir se faz parte de uma irmandade maior da religião islâmica ou de uma sociedade democrática e de consumo”, aponta Troyjo.

Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra

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