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Planejamento falho impede a Índia de se tornar megapotência

19 abr 2013 07h09
| atualizado às 07h09
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Frequentemente mencionada como uma provável nova potência da economia mundial, com o mesmo fôlego para o crescimento que a China tem apresentado, a Índia deve ficar somente na promessa de se tornar uma megapotência. Pelo menos enquanto não arrumar a casa. Embora se compare com o gigante asiático pela população - ambos têm mais de um bilhão de habitantes -, pelo valor como parceira comercial e pela crescente capacidade militar, ainda falta organização civil e planejamento do governo para que assuma este posto.

Economistas ainda questionam a possibilidade de continuação do crescimento pela falta de investimentos na educação
Economistas ainda questionam a possibilidade de continuação do crescimento pela falta de investimentos na educação
Foto: Shutterstock

Segundo a professora de macroeconomia da ESPM Cristina de Mello, é improvável que a Índia consiga se equiparar à China em pouco tempo, pois ainda há problemas muito graves para se resolver por lá. Além da condição estrutural diferente, os altos índices de pobreza complicam o desenvolvimento do país. “A China me parece mais estruturada em termos de projeto, de crescimento econômico, de proposta, de controle social. Lá tem uma sociedade civil mais organizada para o crescimento econômico”, comenta.

A professora, que acabou de voltar de uma missão de estudos da ESPM no país da Ásia Meridional, na qual visitou escolas, empresas e bancos, explica que enquanto os chineses tiveram sucesso na redução da pobreza - o número de pessoas na linha da miséria diminuiu  em 50% -, os indianos estão longe deste desempenho. Conforme dados do Banco Mundial, 76% da população indiana vive com menos de US$ 1 por dia. O restante vive com uma condição econômica parecida com a do Brasil. “A Índia não tem estrutura política, nem um projeto econômico estruturado. Ela tem crescido porque tem condições favoráveis, como mão de obra barata e vasta. Dos países que compõem o BRIC, é o que tem o déficit fiscal mais significativo”, afirma Cristina.

O que falta para a Índia se tornar uma grande potência da economia é um planejamento de âmbito nacional, assim como o da China. O que dificulta é a diversidade - de grupos de religiões e étnicos - e fraca identidade nacional que o país tem. Os problemas, contudo, não indicam falta de potencial. O grande desafio da Índia é se manter crescendo. Para a especialista em macroeconomia, o país tem uma lição de casa difícil. "Mas tem uma quantidade de recurso humano que, se qualificado, permite que o país continue crescendo”, diz. Se conseguir manter um crescimento de 5% ao ano, nos próximos 10 anos, a Índia pode até mesmo se tornar uma exportadora de serviços educacionais e médicos.

Mercado externo

De acordo com a economista, a moeda da Índia - rupia indiana, que vale R$ 0,04, de acordo com o BC - é relativamente desvalorizada para manter o fluxo de exportações. O país envia para o exterior grande parte de sua produção, principalmente no setor de serviços, e praticamente não tem mercado consumidor doméstico. Por isso, o Banco Central da Índia tem perseguido três grandes controles: do crescimento econômico, da inflação e das bolhas especulativas. 

Conforme Cristina, diferentemente do Brasil, a Índia controla mais os fluxos de capitais, é mais rígida. É um cuidado para manter a moeda desvalorizada e permitir um resultado de balanço de pagamentos mais adequado”. Alguns economistas ainda questionam a possibilidade de continuação do crescimento pela falta de qualificação da mão de obra indiana. “A Índia precisa investir em educação para poder empregar todas essas pessoas”, aponta Cristina.

Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra
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