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Movimento cambial foi positivo em janeiro e setembro

8 nov 2013
07h30
atualizado às 07h30
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O saldo do movimento cambial brasileiro foi positivo em janeiro e setembro deste ano. Porém, o país está vendendo mais dólares do que está comprando. É o que mostram dados de movimento cambial do Banco Central de janeiro até o dia 25 de outubro. O saldo ficou negativo em US$ 12,5 bilhões. As vendas foram de US$ 376,2 bilhões contra US$ 363,7 bilhões em compras. 

Quem mais pode sofrer com esse cenário são os importadores e as empresas que têm dívidas em dólares, pois quanto menos dólar entrar no País, mais valorizada a moeda americana fica. O analista da Empiricus Research, Rodolfo Amstalden, avisa que o poder de compra do brasileiro também pode diminuir, por conta da transferência do aumento dos preços de produtos importados, resultando em uma inflação maior.

Para reverter a situação negativa as medidas são de longo prazo, como a tentativa de melhorar a imagem da economia do Brasil frente aos investidores estrangeiros. As medidas do Banco Central para conter a desvalorização do real estão funcionando no momento, segundo a visão de especialistas. “O BC tem reserva cambial suficiente para continuar segurando o dólar, mas não vai conseguir conter a moeda para sempre”, afirma Amstalden. 

A curto prazo, elevar novamente a taxa Selic poderia ser uma alternativa. “A economia não é feita só contas e equações, mas também funciona na base da confiança. A brasileira se trincou um pouco frente aos investidores e a recuperação pode demorar um ou dois anos. Mudar a política econômica no sentido de controlar menos os investimentos pode ser positivo”, aponta Evaldo Alves, professor de economia da Fundação Getúlio Vargas.

Para Alves, a política nacional é muito intervencionista e insegura. “Ela acaba ocasionando um menor interesse por parte de investidores estrangeiros no Brasil, o que pode explicar a menor entrada de dólares”, diz.

Já Amstalden explica que para avaliar o câmbio é preciso levar em conta várias influências simultâneas. Ele aponta a deterioração das contas públicas brasileiras como um dos fatores que refletem a pressão negativa do dólar contra o real. Além disso, o analista diz que a balança comercial brasileira não está favorável. Quanto mais equilibrada estiver, mais positivamente irá impactar a economia brasileira. “Não estamos mais vendendo para o exterior mais do que comprando. Essa conta negativa de dólares na balança acaba desvalorizando o real”. Quanto ao aumento da taxa básica de juros (Selic),  um atrativo para entrada de dólares no País, Amstalden comenta que muitos investidores estão esperando um aumento maior, para só então investir no país. 

Além dos fatores da economia doméstica, a desaceleração monetária dos Estados Unidos pode manter o cenário de disparada do dólar em relação ao real até o fim de 2014. “Qualquer pequeno movimento na política monetária americana pode causar grandes consequências nas moedas emergentes. A elevação da taxa Selic brasileira em quase 3 pontos percentuais, por exemplo, se torna irrelevante frente às mudanças nos EUA”, completa Amstalden. 

O governo americano coloca atualmente cerca de US$ 85 bilhões na economia americana. Com a desaceleração, pretende diminuir esse valor até zerá-lo, diminuindo a quantidade de dólares no mercado, causando uma valorização contra outras moedas.

Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra
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