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Mesmo após produção no Brasil, carros não ficam mais baratos

16 jan 2014
07h10
atualizado às 07h10
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É fato que o Brasil já é opção para muitas marcas internacionais que desejam expandir sua produção para outros países e o setor automobilístico não fica de fora. A BMW Group, por exemplo, passará a produzir ainda neste ano, em Araquari, ao norte de Santa Catarina, modelos da MINI Cooper como o MINI Countryman, primeiro quatro portas da linha. O Grupo Hyundai-Caoa, que já produzia outros três modelos no Brasil, passou a produzir também, em 2013, o ix35 com câmbio automático; a fábrica é localizada em Anápolis, Goiás. A expectativa do Grupo é fabricar 24 mil unidades do modelo por ano.

Mas apesar de grandes vantagens para empresas e governos, o consumidor não encontra preços mais baratos com a decisão de produzir, no País, carros que antes eram importados. De acordo com o professor de finanças do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec), Gilberto Braga, a arrecadação do Estado é o que mais altera o valor do produto produzido no País: “o preço de venda do carro no Brasil é acrescido de tributos. O mesmo modelo, se exportado, vai com uma isenção para venda no mercado externo. Na verdade, o tributo é algo que onera o consumidor brasileiro. A fábrica vai receber a mesma coisa vendendo esse carro no Brasil ou no exterior”. No entanto, é importante destacar que as empresas se instalam no País a partir de uma demanda do mercado e de incentivos do governo, como redução de impostos. Em contrapartida, o Estado espera gerar empregos e riqueza através desta nova indústria, de acordo com Braga.

A diretora da MINI Brasil, Nina Dragone, afirma que a decisão de produzir no País foi tomada a partir de pesquisas que indicaram um potencial de consumo, mas “nenhum tipo de benefício fiscal foi considerado como parte do estudo de viabilidade da nova fábrica e na definição dos modelos que serão produzidos”. Na prática, o preço dos produtos locais continuará o mesmo dos importados. “O preço do produto varia em cada país devido às respectivas estratégias de negócio, além de fatores como taxações e impostos que são diferentes em cada mercado consumidor”, afirma Nina. Por outro lado, a Hyundai alegou, em 2013, que já vinha importando o veículo dentro da cota de importação, sem impostos, estabelecida pela Inovar-Auto (empresa voltada para o setor automobilístico especializada na gestão de incentivos fiscais e financiamento para Pesquisa e Desenvolvimento).

Segundo o professor Braga, o Brasil é um mercado promissor, não apenas no setor automobilístico, principalmente pela renda crescente da população, que vem se mostrando um público consumidor de carros e outros produtos industrializados.

Pouco acessível
Tanto o MINI Cooper quanto o ix35 não cabem no bolso de qualquer consumidor brasileiro. Originalmente produzido em Oxford, na Inglaterra, o MINI é considerado um carro de luxo no Brasil, embora seu preço seja mais acessível no exterior. O modelo MINI Countryman, produzido na Áustria, custa, na Europa, entre 16.000 e 29.000 euros - ou seja, de R$51.700 a R$93.700. Já no Brasil, o valor do mesmo modelo pode variar entre R$130.000 e R$140.000. O ix35 com câmbio automático, custa cerca de R$94.000 no Brasil, mesmo após a produção local em 2013. Na Coreia do Sul, país de origem do automóvel, os preços variam entre $25.000 e $30.000 (de R$59.000 a R$70.000).

Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra

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