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Menos títulos ligados à Selic melhoram a dívida pública

20 ago 2013
07h40
atualizado às 07h40
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Apesar de a dívida pública brasileira ter aumentado 2,6% em junho, em relação a maio, alcançando R$ 1,935 trilhão, é um momento de comemoração. O motivo é o vencimento de apenas R$ 14,8 bilhões em papéis vinculados a taxas flutuantes, como a Selic, o que faz o compromisso registrar a melhor composição desde 1997, quando começaram as medições.

Volume da dívida pública aumentou, mas os resultados de junho foram comemorados
Volume da dívida pública aumentou, mas os resultados de junho foram comemorados
Foto: Shutterstock

A participação desses papéis na dívida interna caiu de 22,56%, em maio, para 20,34%, no mês seguinte. Segundo o professor de Finanças Públicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e diretor executivo do Centro de Estudos de Conjuntura e Política Econômica (Cecon), Francisco Luiz Lopreato, assim o risco cai, e a dívida pública se torna mais previsível.

Isso acontece porque os títulos vinculados à Selic são diretamente ligados à política monetária, portanto, mais instáveis do que os demais. “Aumenta o endividamento do governo quando os juros sobem - caso o BC (Banco Central) reajuste a taxa básica, a parte da dívida interna corrigida pela Selic também cresce imediatamente”, explica Lopreato.

Para o economista, a composição ideal da dívida apresenta o mínimo possível de títulos indexados à Selic e uma parcela expressiva de papéis com juros prefixados e de títulos com juros corrigidos por índices de preços. A taxa de juros dos prefixados é definida no momento da emissão e não varia ao longo do tempo. Dessa forma, o Tesouro sabe exatamente quanto pagará de juros quando os papéis vencerem. Por isso, o aumento da parcela da dívida composta por títulos prefixados - que passou de 40,42% para 41,20% - não é tão preocupante.

Os títulos corrigidos pela inflação também são mais vantajosos do que os papéis vinculados a taxas flutuantes, porque os índices de preços tendem a acompanhar o crescimento da economia. Assim, se a inflação subir, o Produto Interno Bruto (PIB) também aumenta, o que reduz o risco de a dívida pública ficar desproporcional ao PIB, mesmo que o endividamento do governo fique maior. Em junho, a quantidade de títulos deste tipo caiu de 36,40% para 35,70%.

Impacto da alta do dólar

Já a alta do dólar registrada nos últimos meses - quando ultrapassou a barreira dos R$ 2,30 na cotação - fez com que a participação da dívida interna vinculada ao câmbio aumentasse de 0,62%, em maio, para 2,76% em junho. De acordo com Lopreato, a dívida está em um valor razoável, mas a situação seria melhor se o BC diminuísse o volume ou aumentasse os prazos de operações compromissadas - feitas em momento de grande liquidez do mercado, em que títulos são vendidos com o compromisso de compra em data prefixada. No entanto, o economista ressalta que, apesar das críticas, não há risco de insolvência.

Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra

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