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Entenda como a espionagem pode afetar as relações Brasil-EUA

18 nov 2013
07h32
atualizado às 07h32
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As recentes denúncias sobre a espionagem dos Estados Unidos (EUA) envolvendo a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, e, logo depois, a chanceler alemã Angela Merkel colocam em xeque a confiança entre os países envolvidos. Apesar de as relações comerciais entre os brasileiros e os norte-americanos serem bem consolidadas, existe a possibilidade de alterações.

O economista do departamento de Economia da Universidade de Brasília (UnB) Dércio Garcia Munhoz aponta que um dos maiores problemas que o caso de espionagem pode trazer é a desconfiança. No comércio de importações e exportações, feito diretamente por empresas, dificilmente haverá problemas. “Pode ocorrer em grandes negócios, na área de defesa e na área de petróleo, ou em investimentos em áreas estratégicas”, destaca.

Já o professor de Economia Brasileira da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP (FEAUSP) Paulo Feldmann chama a atenção para as relações entre os governos. Feldmann explica que o Brasil possui reservas de dólares e, para o dinheiro não ficar parado, aplica em títulos do governo americano. Uma possível consequência em decorrência da espionagem, segundo o professor, seria uma mudança na relação entre o Banco Central Americano, o Federal Reserve, e o Banco Central do Brasil. “A variação pode ocorrer na taxa de juros de venda ou compra de títulos e essas taxas são estabelecidas em comum pelos países. A relação ficou manchada, houve uma quebra de confiança”, afirma. Entretanto, o professor alerta que a margem de manobra que o governo brasileiro e o governo americano podem negociar é pequena.

Exportações
Munhoz define as relações econômicas entre o Brasil e os EUA como longas, crescentes e estáveis. Feldmann também acredita que trata-se de uma relação já consolidada. “Os EUA sempre foram nosso principal parceiro comercial, mas perderam a posição de uns dois anos para cá. Agora, a China ocupa esse lugar”, diz. O país asiático é responsável pela compra de 20% das exportações brasileiras, enquanto os americanos são responsáveis por 10%. Entretanto, o professor afirma que as empresas americanas continuam atuando no Brasil com muita intensidade e investindo no país também.

Apesar de ter perdido a posição para China, o governo americano tem um papel muito importante sobre a economia brasileira, diz o professor. “Uma das coisas mais importantes na economia brasileira é o valor do dólar, e ele afeta tudo, desde a inflação até a competitividade dos produtos”, destaca.

De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, as exportações brasileiras para os EUA de janeiro a julho deste ano fecharam em aproximadamente US$ 11,5 bilhões (R$ 26,7 bilhões). Os EUA são um grande comprador de produtos manufaturados brasileiros, como automóveis, etanol, resina plástica, óleos combustíveis e aviões.

Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra
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