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Demanda por trigo brasileiro deve ser abaixo do esperado

14 nov 2013
07h43
atualizado às 07h43
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O governo gaúcho pediu a revogação da isenção da Tarifa Externa Comum (TEC) com o objetivo de favorecer a comercialização do trigo do Rio Grande do Sul para os outros estados brasileiros - a região Sul produz 90% do trigo brasileiro. Com o pedido, o estado quer frear a compra do produto de outros países. 

Sem a TEC, o trigo importado entra a preços mais baixos no Brasil. O pedido do governo gaúcho foi motivado pela decisão da Câmara do Comércio Exterior (Camex) de prorrogar até 30 de novembro a isenção da alíquota de 10% para o trigo importado. Segundo o analista de mercado da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Paulo Magno Rabelo, o trigo produzido no Brasil não vai ter uma demanda tão forte como se esperava por em função da grande importação favorecida pela isenção da TEC. “Essa medida (da Camex) foi tomada para combater a inflação, mas não adiantou. Mesmo assim, os preços internos da farinha, por exemplo, continuam subindo”, destaca. 

Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), até setembro de 2013, o Brasil importou 5.242.170,34 toneladas de trigo. O preço médio por tonelada é de US$ 335,72 (aproximadamente R$ 780). São Paulo é o estado que mais importou, responsável por 20,13% do total, com mais de 1 milhão de toneladas. Em segundo lugar, aparece o Ceará, com uma participação de 14,57%, e em terceiro, o Rio Grande do Sul, com 8,19%. A Argentina era a principal fornecedora externa de trigo para o mercado brasileiro. Dos 5 milhões de toneladas importados pelo Brasil, mais de 2,5 milhões de toneladas eram de origem argentina.

De acordo com a nota divulgada pela Camex, a ampliação da cota de importação 
(que passou a conceder um adicional de 600 mil toneladas para compra externa de trigo em grão), foi motivada pela escassez do produto nos mercados brasileiro e argentino. Produtores dos dois países tiveram perdas nas safras de 2013 e 2014, devido a problemas climáticos. Com a decisão, o total autorizado para importação com redução tarifária em 2013 chega a 3,3 milhões de toneladas.

Exportação
Neste ano, a safra do trigo no Rio Grande do Sul deve chegar a 2,6 milhões de toneladas. Excluído o percentual que será adquirido pela indústria moageira gaúcha, ainda restam 1,6 milhão para exportação. Isso representa aproximadamente 20% do que o Brasil consome anualmente de trigo, estimado em 10,4 milhões. 

O trigo gaúcho pode abastecer o mercado nacional nos próximos meses, principalmente no que diz respeito aos estados mais próximos do Rio Grande do Sul, inclusive os da região sudeste. O analista diz que, geralmente, o trigo importado fica nos moinhos do litoral, enquanto os moinhos do interior se abastecem da produção de trigo do Brasil. “Os produtores vão ter que carregar esse produto por mais tempo”, ressalta. 

O Brasil exporta para países como Israel, Coreia do Sul, Alemanha e Egito. Até abril deste ano, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria do Trigo, o País já havia exportado mais de 175 mil toneladas de trigo para Israel. 

Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra
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