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Comércio de carros com Cuba cria pequeno nicho de exportação

15 jan 2014
07h10
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O anúncio da liberação da livre importação de veículos a preços de mercado em Cuba pode interessar a indústria automobilística brasileira, porém não configura um grande mercado para os especialistas. Em consequência da medida, divulgada pelo jornal cubano Granma no dia 19 de dezembro de 2013, a venda de varejo de carros, motos, caminhonetes de carga e micro-ônibus, novos e usados, também será liberada para cubanos e estrangeiros residentes na ilha.

Para o professor do Núcleo de Estudos Cubanos da Universidade de Brasília (Unb), Hélio Doyle, a grande novidade é o acesso que as pessoas terão aos veículos, que antes dependia de autorização do governo. “O governo cubano já importa carros que são usados como táxis, em locadoras de veículos ou para venda aos funcionários das embaixadas. Com a livre importação, os cubanos terão o direito de adquirir os automóveis. Porém, apenas uma pequena parcela da população terá condições de comprar um carro”, opina.

Para Doyle, se for comercializar com Cuba, o Brasil deveria investir em exportação de carros populares, por um valor relativamente baixo, pois o mercado importador de Cuba não será expressivo. “Não é um mercado que iria impulsionar a indústria automobilística brasileira e nem salvar nosso mercado interno. A exportação é boa para qualquer economia e a medida ajuda a criar um nicho de consumidores, mas pequeno”, explica.

O professor também lembra que incentivar a importação e venda de carros não é interesse do governo cubano, pois não existe um mercado interno de produção de veículos e nas concepções de consumo dos cubanos, o carro não é um item essencial. “A liberação tem um significado mais político do que econômico, pois a maioria da população não tem renda média compatível com o preço de um carro e Cuba não possuí um sistema de crédito como no Brasil, onde os consumidores podem parcelar o valor do veículo em 60 vezes”, diz.

O professor da Faculdade de Economia da Universidade de São Paulo (FEA-USP), Paulo Feldmann, acredita que as montadoras do Brasil demonstrarão interesse pelo mercado de Cuba, mas por conta da renda dos cubanos, o comércio não seria expressivo. Além disso, Feldmann cita que a produção brasileira de carros é muito cara comparada a outros países.

“Acredito ser pouco provável que o Brasil seja um dos principais exportadores de carros para Cuba. Não haverá limitações por parte dos governos, tanto brasileiro quando cubano, porém existem países com tributos muito menores. A questão do boicote norte-americano é uma vantagem, pois certamente não haverão carros americanos sendo vendidos à Cuba. Por outro lado, fabricantes de carros como o México, que já possuí uma tradição comercial com o país socialista e por ter uma produção mais barata, deve se tornar o principal vendedor”. Atualmente, a maioria dos veículos usados comercializados no país, é importada da União Soviética e da Alemanha Oriental antes da revolução de 1959.

Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra

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