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Cai a receita da exportação de café brasileiro

10 dez 2013
07h26
atualizado às 07h26
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O Brasil não perdeu seu posto de maior produtor e exportador mundial de café. Mas os últimos meses não foram muito positivos para o setor. De janeiro a outubro de 2013, em comparação com o mesmo período do ano passado, o País apresentou uma queda de 17,10% nos ganhos com a venda ao exterior, fechando em US$ 3,87 bilhões  - em 2012, foram US$ 4,67bi. A redução se deu nos maiores compradores do grão, Estados Unidos, Alemanha e Itália, que deixaram de comprar, respectivamente, 12,25%, 21,72% e 21,47%, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento.

Segundo o diretor executivo da Associação Brasileira de Indústria de Café (ABIC), Nathan Herszkowicz, estima-se que a produção de 2013 será de 49 milhões de sacas. Em comparação com o segundo maior produtor do mundo, o Vietnã, a folga é grande: os vietnamitas devem fechar 2013 com uma produção de 27 milhões de sacas.

O café brasileiro possui uma boa aceitação no mercado internacional, destaca o professor de economia e mestre em relações econômicas e sociais internacionais da Univali, Jairo Ferracioli. Mas, mesmo com um câmbio favorecido para os exportadores brasileiros, é preciso que se tenha alguém do outro lado para comprar. “A nível mundial, a renda disponível para transações internacionais diminuiu”, explica o professor. Ferracioli avalia que as recentes crises financeiras na Europa e a recuperação dos Estados Unidos refletem na queda da renda mundial.

O setor se favorece com a chamada demanda inelástica, comum aos bens de primeira necessidade, grupo do qual o café passou a fazer parte, já que tornou-se um hábito mundial. “Não é por conta do preço que vai variar muito o consumo no mundo, mas sim das condições dos países compradores”, ressalta Ferracioli.

Quênia 
Países subdesenvolvidos como o Quênia estão otimistas quanto à sua produção de café em 2014. Com exportação voltada principalmente para União Europeia, Estados Unidos e Oriente Médio, o país não ameaça, no entanto, o mercado brasileiro. O professor Ferracioli avalia o aumento na produção como um reflexo também social. “Se eles aumentam a produção é porque há demanda, mas a demanda do mercado mundial sempre tem uma crescente. O fator da renda faz com que alguns países segurem a compra.” 

Ou seja, o nível de desenvolvimento do país exportador também conta na hora da escolha dos principais compradores, que buscam favorecer países com menor condição social. “Não existe muita diferença de preço, já que o café é uma commodity. Por isso o preço é internacional e pode mudar na questão de acordos. Como o Quênia não pertence a um bloco expressivo, não tem esse poder de barganha”, explica.

Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra
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