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EUA: alta da natalidade sugere novo ânimo à economia

2 jul 2013
07h14
atualizado em 4/7/2013 às 09h13
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Se você acha que a situação econômica de um país só pode ser analisada com índices de Bolsas ou cotações de moedas, está na hora de mudar de opinião. Alguns indicadores pouco comuns, como o aumento de idas ao cinema ou de cirurgias plásticas podem ser bons termômetros econômicos. Dados demográficos, como a taxa de natalidade de um país, também ajudam a saber se a situação está melhorando. É o caso dos Estados Unidos.

Na Europa, o número de nascimentos caiu drasticamente nos países mais atingidos pela crise
Na Europa, o número de nascimentos caiu drasticamente nos países mais atingidos pela crise
Foto: Getty Images

Já havia acontecido assim na grande depressão da década de 30 e na recessão do início da década de 70 nos EUA. Logo antes de uma grande turbulência econômica, as taxas de natalidade foram altas, sofreram forte declínio no auge da crise e voltaram a crescer quando a situação melhorou. Agora, com a crise econômica mundial, a história está se repetindo.

A taxa de natalidade americana alcançou um pico de 4.316.233 em dezembro de 2007, logo no início da crise, e diminuiu consideravelmente nos anos seguintes. Mas um relatório publicado recentemente pelo Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC) dos EUA indica que, a contar pela taxa de natalidade, a turbulência econômica pode estar ficando para trás. O número de nascimentos finalmente voltou a crescer. Em 2012, foi de 3.958.000 - um acréscimo pequeno em relação a 2011, em que a taxa foi de 3.953.593.

Na Europa, situação parecida. A crise não tem afetado apenas taxas de desemprego e crescimento econômico, mas também o número de nascimentos, principalmente nos países mais afetados. Esta é a conclusão de um estudo comparativo das taxas de fecundidade europeias entre 2008 e 2011, publicado pelo Instituto de Demografia de Viena.

O levantamento apontou que, de 22 países analisados, 15 apresentaram declínio, com situações mais graves em Portugal, na Grécia e na Espanha. Nestes países, a taxa encontra-se bem abaixo dos 2,1 filhos por mulher em idade reprodutiva, considerado pelo instituto como o número mínimo para que haja uma reposição da população. Na Grécia, além da média de 1,43 filho por mulher, o número de abortos cresceu 50% em 2011. Já em Portugal, o número de nascimentos em 2011 foi de cerca de 90 mil, o mais baixo en 60 anos.

De acordo com o professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (Fearp-USP) Maurício Jorge Pinto de Souza, realmente existe relação entre a taxa de natalidade e a economia, mas não é tão direta quanto pode parecer. Segundo ele, há uma tendência natural de longo prazo de diminuição das taxas de natalidade que se mantém, e paralelamente tendências de curto prazo, como esta.

“A relação a longo prazo é ligada a outros fatores, não apenas à economia, mas também a mudanças nos padrões da sociedade, como participação feminina no mercado de trabalho” diz. Ainda de acordo com ele, a tendência é de que as taxas de natalidade dos países desenvolvidos cresçam pouco e logo se estabilizem, pois é apenas uma oscilação de ajuste.

Souza explica que o crescimento no número de nascimentos costuma ocorrer quando as pessoas se sentem seguras e há abundância na disponibilidade de crédito. Já as quedas acentuadas se dão em momentos de incerteza. “Se a economia vai mal, mesmo quem tem um emprego pode perdê-lo a qualquer momento, não é um momento propício para planejar o crescimento famíliar”, diz ele. O professor exemplifica comparando à compra de um carro. “Se você não tem certeza de que terá condições de pagar, não fará uma compra tão grande”.

De acordo com Souza, oscilações de natalidade afetam a economia, por um lado, porque a população consome mais bens e serviços; e por outro, porque há mais pessoas para dividir bens e serviços públicos. Ele esclarece que, assim como a melhora da economia faz com que a taxa de natalidade aumente, este acréscimo também colabora para a estabilização econômica. “Primeiro, há uma marcha para o consumo, o que faz com que a produção tenha que crescer para atender à demanda, o que cria novos postos de emprego”, afirma o professor.

Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra
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