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Banco Central adota medidas para conter a saída de dólares

14 jan 2014
07h15
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Para compensar o anúncio dos cortes nos gastos federais dos Estados Unidos, o Banco Central do Brasil estendeu as medidas de swap cambial - acordo de troca de moedas a uma taxa predeterminada - e venda de dólares com recompra até pelo menos 30 de junho de 2014. O governo americano anunciou em dezembro de 2013 que a partir de janeiro os estímulos monetários passariam de US$ 85 bilhões para US$ 75 bilhões mensais. Com a diminuição da compra de títulos da dívida pública americana, a quantidade de dólares em circulação diminui, valorizando a moeda.

Com o objetivo de manter a proteção e a liquidez do mercado cambial, os leilões de swap acontecerão de segunda a sexta-feira, com valor ofertado de US$ 200 milhões diariamente. Antes da renovação da medida, o valor era de US$ 500 milhões, de segunda a quinta-feira. As vendas de dólares com compromisso de recompra, que antes aconteciam nas sextas-feiras, podem agora ser efetuadas em qualquer dia, de acordo com as condições de liquidez do câmbio.

Na visão do professor de economia do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec), Alexandre Espírito Santo, o que o Banco Central está tentando fazer é ordenar a desvalorização do câmbio, diminuindo sua instabilidade, que é negativa para a economia.

Com uma flutuação de câmbio mais estável é possível evitar a insegurança dos investidores no Brasil, que vinha preocupando a economia no segundo semestre de 2013. “ Tivemos uma grande saída de dólares no ano passado e o investimento estrangeiro direto não estava mais entrando para cobrir o déficit. Controlar a desvalorização pode evitar efeitos negativos na economia”, diz Santo.

Para o diretor de câmbio da Pioneer Corretora, João Medeiros, as ações do Banco Central configuram um paliativo para o mercado de câmbio e injetam credibilidade e previsibilidade à taxa cambial. “É um excelente negócio, pois o câmbio entra e sai sem ser necessário utilizar as reservas. A manutenção do BC é importante dentro do quadro de redução dos estímulos na economia americana, pois há uma desvalorização das moedas emergentes frente ao dólar”, opina.

Quanto à taxa básica de juros americana, Santo acredita que a retirada dos estímulos irá naturalmente fazer com que os juros subam, conforme a economia se recupere ainda mais, fazendo com que os dólares migrem para os Estados Unidos, piorando a questão cambial brasileira.

Em relação à inflação, quando se tem uma taxa de câmbio mais alta, os produtos importados ficam mais caros e muitos produtos nacionais necessitam de peças importadas em sua fabricação. Se o empresário tiver um custo maior para produzir e não repassar o aumento para o preço final, perderá margem de lucro. “Os empresários já diminuíram muito sua lucratividade em 2013, não acredito que diminuirão novamente. O impacto do aumento dos preços piora a inflação. Mas se o BC continuar controlando a flutuação do dólar, o impacto será menor”, conclui Santo.

Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra

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