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Olimpíadas inflacionam o m² em Jacarepaguá, no Rio

22 nov 2012
07h52
atualizado em 23/11/2012 às 13h44

Os Jogos Olímpicos de 2016 vão girar principalmente em torno de dois bairros da Zona Oeste do Rio de Janeiro: Jacarepaguá e Barra da Tijuca. Nessa região estão sendo construídos o Parque Olímpico, que será palco das principais competições, e a Vila Olímpica, onde vão se hospedar os atletas.

O mercado de imóveis usados e novos está aquecido em Jacarepaguá. A proximidade com a Barra da Tijuca e as obras para as Olimpíadas em 2016 são fatores que contribuem para essa valorização
O mercado de imóveis usados e novos está aquecido em Jacarepaguá. A proximidade com a Barra da Tijuca e as obras para as Olimpíadas em 2016 são fatores que contribuem para essa valorização
Foto: Creative Commons / Divulgação



Há muito tempo a Barra da Tijuca já é uma das áreas mais nobres da cidade, mas os preparativos para o evento vão dar novo impulso a um fenômeno que vem ganhando forca nos últimos cinco anos: a valorização do bairro de Jacarepaguá.



Afastada do mar, esta era uma área bem menos procurada até 2007, quando passou a receber obras de infraestrutura e começaram a surgir novos empreendimentos e estabelecimentos comerciais que vêm transformando a cara do bairro. Nesse mesmo ano, o governo brasileiro oficializou a candidatura do Rio de Janeiro para sediar as Olimpíadas de 2016.



"Jacarepaguá era um bairro com muitas residências, mas poucas opções de novos empreendimentos. Nos últimos anos, as construtoras resolveram investir em condomínios para as classes média e média alta. É um público que não pode morar na Barra da Tijuca, mas quer usufruir dos benefícios, dos transportes e da proximidade com esse bairro badalado de forma mais econômica", explica Leonardo Schneider, vice-presidente do Sindicato da Habitação do Rio de Janeiro (Secovi-RJ).



Segundo a Prefeitura do Rio de Janeiro, Jacarepaguá também receberá nos próximos anos outras obras de infraestrutura relacionadas aos Jogos de 2016. Uma delas é a macrodrenagem da bacia de Jacarepaguá, que faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e vai canalizar os rios da região, para evitar enchentes. Outras são as duas linhas de BRT (Bus Rapid Transit ¿ corredores de alta velocidade exclusivos para ônibus) que serão construídas para ligar a região a pontos estratégicos da cidade.



A Transcarioca irá da Barra da Tijuca até o Aeroporto Internacional Tom Jobim, na Ilha do Governador, passando por Jacarepaguá. Já a Transolímpica vai conectar os dois bairros da Zona Oeste a duas importantes estações de trem - Magalhães Bastos e Deodoro - na Zona Norte do Rio de Janeiro. Ao contrário da Transcarioca, a Transolímpica também será aberta para a circulação de carros.



"Jacarepaguá já é um bairro com forte valorização dos imóveis nos últimos anos, mesmo sem grandes investimentos. Com as obras, como a Transcarioca, Transolímpica, macrodrenagem e outras de infraestrutura, a qualidade de vida dos moradores vai aumentar e a valorização dos imóveis será ainda maior", afirma o subprefeito da Barra e Jacarepaguá, Tiago Mohamed.



O subprefeito lembra, ainda, que depois dos Jogos os apartamentos da Vila Olímpica serão vendidos para compradores particulares, o que vai ajudar a valorizar os terrenos que a circundam.



"A qualidade de vida vai aumentar muito em Jacarepaguá. As obras não são para os atletas, e sim para os moradores que vão usufruir desse legado", afirma Mohamed.



Valorização atinge imóveis novos e usados

Os corretores que atuam em Jacarepaguá sentem na pele todos os dias a grande demanda por imóveis novos e usados na região. Para Márcio Pegado, diretor de marketing da imobiliária Julio Bogoricin, há mais de 50 anos no mercado, Jacarepaguá é visado pelas construtoras por conta da oferta de bons terrenos, o que segundo ele, é algo raro no Rio de Janeiro.



"Além da oferta de terrenos, os preços são muito atraentes para as construtoras, aumentando o número de novos empreendimentos. Somente nossa imobiliária está trabalhando atualmente na venda de unidades em seis deles", conta Pegado.



O diretor de marketing também atribui o início do sucesso da região à construção, na década de 1990, da Linha Amarela, via expressa que liga as Zonas Oeste e Norte do Rio de Janeiro. A avenida aproximou os moradores de Jacarepaguá das praias da Barra, além de facilitar o acesso a todas as demais zonas do município.



"Essa comodidade vem agregada com preços bem mais em conta, sem esquecer que ainda tem muito que acontecer em relação a melhorias de mobilidade urbana", explica Pegado.



Para Telma Sueli José Teixeira, avaliadora imobiliária e representante do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Rio de Janeiro (Creci-RJ), o mercado está bom para o imóvel novo, mas ainda melhor para o usado.



"Os imóveis novos, quando comprados na planta, demoram pelo menos dois anos para serem entregues e os reajustes no valor fazem com que o comprador não saiba exatamente quanto ele vai pagar. O usado custa o acordado na hora, sem acréscimos. Você vê, gosta e fecha. Caso esteja ocupado, o proprietário ou inquilino têm até 60 dias para deixar o imóvel e o novo comprador ocupá-lo", afirma Teixeira.



Segundo a avaliadora, os compradores têm reavaliado as opções e procurado por imóveis usados, que estão com as vendas tão aquecidas quanto os novos. O interesse se deve à comodidade do comprador poder mudar num curto espaço de tempo e pela possibilidade de ver com antecedência o que está adquirindo.



As áreas mais procuradas

Dentro de Jacarepaguá algumas áreas são mais procuradas que outras, seja pelo status ou pela infraestrutura. Mas o fator que decide onde o comprador vai morar é o dinheiro disponível, afirma Rafael Martins de Albuquerque, gerente de vendas da Brasil Brokers, imobiliária que atua há mais de 20 anos na região.



"As áreas mais procuradas, na ordem, são Freguesia, Pechincha e Taquara. As mais desejadas estão mais próximas da Barra da Tijuca e, consequentemente, os preços ali são mais altos. Conforme se afastam, é possível comprar apartamentos com o mesmo padrão, mas com preço mais baixo", explica Albuquerque.



O gerente de vendas diz que Taquara nem mesmo pertencia a Jacarepaguá, era uma fazenda, mas foi agregada ao bairro devido à demanda e hoje é a terceira área mais procurada por quem deseja morar na região.



Fonte: PrimaPagina

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