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 China quer avançar em acordo de livre comércio com o Mercosul

25 de junho de 2012 • 20h31 •  atualizado 26 de junho de 2012  • 02h03

"A China está disposta a iniciar um diálogo de chanceleres com o Mercosul", afirmou o premiê Wen Jiabao

"A China está disposta a iniciar um diálogo de chanceleres com o Mercosul", afirmou o premiê Wen Jiabao
Foto: AP

A China disse na segunda-feira que deseja avançar num acordo de livre comércio com o Mercosul, num momento em que o bloco sul-americano intensifica suas medidas econômicas protecionistas.

Durante visita a Buenos Aires, o primeiro-ministro Wen Jiabao manifestou, em videoconferência com os presidentes da Argentina, Brasil e Uruguai, o desejo de "realizar estudos de viabilidade sobre (...) uma zona de livre comércio entre a China e o Mercosul".

"Queremos realizar estudos de viabilidade sobre o estabelecimento de uma zona de livre comércio entre China e Mercosul", disse Wen, junto à presidente argentina, Cristina Kirchner, na Casa Rosada, no fim de uma viagem regional que o levou a Buenos Aires, Brasília e Montevidéu.

"A China está disposta a iniciar um diálogo de chanceleres com o Mercosul", afirmou o primeiro-ministro chinês, em videoconferência transmitida diretamente pela imprensa local, e que incluiu os presidentes Dilma Rousseff e José Mujica, do Uruguai.

Wen antecipou também que seu país está disposto a "trabalhar conjuntamente para promover a construção da rede de transporte da região sul-americana". O governante lembrou que seu país "manteve estreitas cooperações no terreno comercial do Mercosul, e a China se tornou o segundo mercado de exportação para o Mercosul". Em 2011, a China exportou ao Mercosul 48,451 bilhões de dólares (34% mais que no ano anterior) e importou do bloco sul-americano 51,033 bilhões de dólares (37,9% que em 2010).

No começo de junho, Pequim já havia expressado essa intenção às autoridades uruguaias. A China é um dos principais sócios comerciais do Mercosul, de onde compra principalmente grãos e outros alimentos, exportando em troca produtos de alto valor agregado.

Na América do Sul, os únicos países que têm acordos de livre comércio com a potência asiática são Chile e Peru.

Alguns economistas afirmam que as políticas protecionistas adotadas por Argentina e Brasil, os dois maiores sócios do Mercosul, tornam muito difícil a adoção de um acordo de livre comércio com a China.

Sem o Paraguai
A videoconferência foi realizada sem um representante do Paraguai, país que está temporariamente suspenso do Mercosul depois do impeachment do presidente Fernando Lugo por um rápido processo político no Congresso.

A saída de Lugo provocou uma onda de críticas na região, cujos governos a consideraram ilegítima, isolando diplomaticamente o novo governo de Federico Franco. Segundo uma fonte do governo brasileiro, a ausência do Paraguai na discussão já é um sintoma do seu isolamento.

"É uma prova bastante concreta de que os demais países do Mercosul estão sérios em relação à posição tomada nos últimos dias", afirmou a fonte, que falou sob condição de anonimato. Os presidentes da América do Sul irão se reunir na sexta-feira na Argentina para analisar a situação do Paraguai.

Com informações da AFP
Reuters News


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