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Quinta, 1 de agosto de 2002, 15h44

Fonte: AFP

Internacional

Imprensa americana alerta que O'Neill deve ser cauteloso com o que diz

O secretário do Tesouro americano, Paul O'Neill, conhecido por seus polêmicos comentários que afundaram os mercados no Brasil e na Argentina, deve ter mais cuidado com o que diz ou perderá o emprego, advertiu esta quinta-feira o jornal The Washington Post.

Em um editorial intitulado "As gafes de O'Neill", o jornal pergunta por que o secretário do Tesouro se empenha em fazer, uma vez ou outra, comentários que, ao invés de injetar confiança na região sul-americana, deixam os investidores de cabelos em pé.

"Talvez tenha o desdém de um industrial pelo ziguezague dos mercados financeiros e prefira se concentrar no que ele chama de fundamentos econômicos", sugeriu o editoral, em alusão ao cargo anterior do funcionário, o de presidente da Alcoa, primeiro fabricante mundial de alumínio. "Mas se for assim, então é preocupante: os mercados financeiros, apesar de irritantemente inconstantes, podem ter um impacto fundamental nos fundamentos de O'Neill", afirma o jornal.

"Ou talvez O'Neill não tenha se acostumado com a idéia de que, como secretário do Tesouro, seus comentários podem mover os mercados", aventurou o texto.

"Fico constantemente surpreso que alguém se importe com o que faço", afirmou O'Neill na semana passada.

"Se (o secretário) não for cuidadoso, ficará sem emprego e, nesse caso, acabará sua surpresa", prognosticou o Post.

Ao assinalar este domingo à televisão Fox que os países do Cone Sul "precisam implementar políticas que assegurem que, quando receberem o dinheiro de ajuda, este faça algum bem e não simplesmente saia do país para contas bancárias na Suíça", O'Neill desencadeou uma crise diplomática entre Washington e Brasília, além de fazer afundar o real.

Em um episódio similar, em junho passado, o secretário do Tesouro havia indicado que "não lhe parecia uma idéia brilhante botar o dinheiro do contribuinte americano na incerteza política" do Brasil, o que causou uma imediata reação nos mercados e propiciou a queda do real, que bateu recordes de baixa oito dias seguidos.

Há quase um ano, em agosto pasado, também abalou os mercados ao afirmar que "estamos trabalhando para encontrar uma maneira de criar uma Argentina sustentável, não apenas uma Argentina que continue consumindo o dinheiro dos bombeiros e carpinteiros dos Estados Unidos, que ganham US$ 50 mil por ano e se perguntam o que, diabos, estamos fazendo com seu dinheiro".

"Os argentinos estão entrando e saindo de problemas há 70 anos ou mais. Não têm nenhuma indústria de exportação, só para mencionar algo. E eles gostam disso. Ninguém os obrigou a ser o que são", afirmou à revista The Economist poucos meses depois, em janeiro.

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