Nesta segunda-feira, após duas semanas de greve, vários empregados foram demitidos pelos consórcios Conest e Ipojuca e por outras construtoras que prestam serviços à Petrobras na obra. O consórcio Ipojuca é liderado pelas empreiteiras Queiroz Galvão e Iesa. O Conest é formado por Odebrecht e OAS.As informações sobre o total de demitidos são divergentes. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Construção de Estradas, Pavimentação e Obras de Terraplanagem no Estado de Pernambuco (Sintepav-PE), cerca de 500 trabalhadores teriam sido dispensados de um total de 44 mil que atualmente trabalham no local. Mas pessoas ligadas a outros sindicatos disseram que as demissões poderiam chegar a mil.O assessor do Sintepav, Leodelson Bastos, disse à Reuters que é difícil precisar o número exato de dispensados porque os empregados com menos de um ano de tempo de serviço não precisam ir ao sindicato fazer a homologação da rescisão de seus contratos de trabalho. Fazem isso diretamente com as construtoras.As demissões teriam sido uma represália das empresas ao comportamento e a manifestações violentas dos trabalhadores. A greve foi considerada abusiva pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 6ª Região no dia 6 de agosto, e todos deveriam ter retomado o serviço em seguida.Mas os empregados não teriam aceitado a decisão e colocado fogo em alguns ônibus e promovido outros atos de vandalismo. O Sintepav disse não ter nenhuma relação com essas manifestações. A Petrobras disse que não se pronunciaria sobre as demissões, e as empresas prestadoras de serviços à estatal não tinham porta-vozes disponíveis imediatamente para comentar o assunto.Problemas
O projeto de construção da Refinaria Abreu e Lima foi lançado em 2005 em cerimônia com o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Pelo acordo, a estatal venezuelana PDVSA teria 40% do empreendimento.A Petrobras já construiu sozinha mais da metade do projeto, e o investimento venezuelano ainda não foi feito. A Petrobras e o governo brasileiro já adiaram em pelo menos quatro vezes o prazo para que a PDVSA assuma sua fatia na Rnest.O acordo inicial previa um projeto com dois trens de refino, um para o petróleo brasileiro do Campo de Marlim, da bacia de Campos, e um segundo para processar o óleo de Carabobo, na Venezuela, mais pesado. Atualmente a refinaria está preparada somente para o óleo brasileiro.Para receber o petróleo mais pesado do país vizinho, seria necessário um investimento extra de US$ 300 milhões em uma planta de redução de enxofre. Para formalizar a parceria, a PDVSA precisaria acertar as garantias de um empréstimo feito junto ao BNDES e também colocar 40% do que foi gasto no projeto.
- Reuters News


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