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 Indústria: plano para rodovias e ferrovias é ousado, mas factível

15 de agosto de 2012 • 15h52 •  atualizado 16h00

O presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e das Indústrias de Base (Abdib), Paulo Godoy, a iniciativa privada vai corresponder ao Programa de Investimentos em Logística, anunciado nesta quarta-feira pelo governo federal. Apesar de considerar o programa como "ousado", Godoy classifica-o, também, como "factível".

"O plano é factível, mesmo porque a iniciativa privada nunca deixou de corresponder ao chamamento do governo nos casos de concessões. É isso o que vai acontecer. Tendo regras claras, segurança jurídica e rentabilidade adequada, haverá empresas que vão se responsabilizar (por ele) e financiadores", disse o presidente da Abdib.

Na avaliação de Godoy, o governo deu "sinal claro (aos empresários) de que haverá uma ampliação do modelo de concessão". "Com isso, vamos completar um ciclo muito importante na área de transporte para ver se, em cinco anos, melhoramos a competitividade da economia e diminuímos o custo da logística. Acho que em cinco ou seis anos já vamos sentir melhorias na competitividade da economia brasileira."

Desconsiderando a área de petróleo e gás, estima-se que o Brasil precise investir nos próximos cinco anos apenas em infraestrutura de transporte o equivalente a 4% do Produto Interno Bruto (PIB) ao ano, para atingir o patamar do Chile, conforme Godoy. "Se atingirmos 6%, chegaremos ao patamar da China."

Apesar da crise financeira internacional, o empresário acredita que o plano poderá ser beneficiado com investimento externo. "A única alavanca que deveremos ter (do exterior) será na emissão de debêntures de infraestrutura. Vamos procurar vender para investidores externos. Vai ser a maior contribuição que o setor de crédito internacional dará ao programa". Debênture é um título de crédito representativo de empréstimo que uma companhia faz com terceiros.

A concessão de rodovias e ferrovias teve repercussão positiva entre empresários de outros ramos e governadores presentes no lançamento do plano no Palácio do Planalto. O programa prevê R$ 133 bilhões em investimentos nos próximos 25 anos, sendo R$ 42 bilhões para rodovias e R$ 91 bilhões para ferrovias. Na avaliação do vice-presidente de Relações Internacionais da Marcopolo, empresa da área de carrocerias, José Martins, a melhoria da infraestrutura de transportes vai atrair investimentos em cascata e beneficiar a economia de forma geral.

"Os agricultores serão beneficiados porque terão acesso às fazendas com mais frequência. O ônibus, em vez dos carros, será mais utilizado porque teremos estradas boas para trafegar atraindo passageiros. As cargas, via trem, serão levadas de forma mais rápida ao destino e de forma muito mais barata do que o transporte rodoviário", disse Martins, que integrou o grupo de empresários que reuniu-se com a presidenta antes da construção do plano.

O empresário do ramo de siderurgia, Jorge Gerdau, estimou os efeitos do programa para breve, embora o prazo de investimento previsto é prazo de até 25 anos. "Assim que essas obras começarem, tem efeito. Até o final do ano, esses contratos devem começar a andar. As metas devem ser custos eficientes, custos competitivos e qualidade de serviços."

O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, destacou que as concessões são uma forma de ampliar a capacidade de investimentos, sem imobilizar recursos do Estado para áreas sociais. O governador de Mato Grosso, Silval Barbosa, estado com forte atividade agropecuária, destacou que a ampliação da infraestrutura de transportes beneficiará o escoamento da produção.

"Para Mato Grosso, resolve praticamente a grande parte dos problemas de escoamento da nossa produção. O trecho de ferrovia e o de estrada, somadas às obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), traz um ganho importantíssimo de logística. Acho que agora o Brasil vai. É um programa arrojado de logística."

Agência Brasil
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