Nova Lei
O protesto de caminhoneiros, iniciado na quarta-feira, é contra uma nova regra do governo, que exige um intervalo de descanso mínimo de 11 horas a cada 24 horas. Segundo o setor, há poucas áreas de descanso nas principais rodovias, o que inviabiliza o cumprimento da regra. Além disso, a medida também reduzirá o rendimento dos caminhoneiros. "O impacto é para todo mundo (setores da indústria)... mas ainda é coisa pequena", disse o presidente da União Nacional dos Caminhoneiros, José Araújo China da Silva, após reunião cm o ministro dos Transportes, Paulo Passos.
Os caminhoneiros querem o adiamento por ano da lei que determina, entre outras coisas, o intervalo de descanso. Mas o governo já sinaliza que não negociará enquanto os trabalhadores mantiverem a greve. "O governo não vai negociar sob greve", disse Diumar Bueno, presidente da CNTA (Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos), que representa 1,2 milhão de caminhoneiros no País, de mais de 2 milhões autônomos. Segundo ele, o governo pretender apresentar uma resposta às reivindicações no dia 8 de agosto, mas apenas se os bloqueios forem suspensos.Polêmica
O Ministério Público do Trabalho (MPT) deve abrir investigações a respeito da denúncia de participação de empresas nas manifestações de caminhoneiros nas rodovias, iniciadas na última quarta-feira, dia 25. Na última sexta-feira, duas confederações nacionais de trabalhadores do setor denunciaram publicamente a ocorrência de locaute (greve patronal, que é proibida por lei). Entre as reivindicações do Movimento União Brasil Caminhoneiro está o adiamento por um ano da vigência da Lei Federal 12.619. O movimento alega que as exigências impostas pela lei são "inviáveis por falta de infraestrutura nas estradas". Sancionada em abril deste ano, a lei tornou obrigatório o controle de jornada de trabalho de todos os motoristas que trabalham no transporte rodoviário de cargas e passageiros.
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