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 Com medo de protesto, cegonheiros deixam de fazer entregas

31 de julho de 2012 • 18h16 •  atualizado 18h41

O presidente do Sindicato Nacional dos Cegonheiros, José Ronaldo Marques da Silva - conhecido como Boizinho - afirmou que a paralisação da categoria nesta terça-feira ocorreu pelo receio de que os transportadores de veículos ficassem parados nas estradas. "Pela manhã (desta terça-feira), pedimos para que os nossos carreteiros não saíssem das transportadoras, pois ficariam parados nas estradas, já que é perigoso. Tem cegonha parada pelo País inteiro e elas não podem rodar porque as rodovias estão todas afetadas pela manifestação (dos caminhoneiros autônomos)", afirmou.

Segundo José Ronaldo, o sindicato ainda não decidiu se apoia a manifestação organizada pelo Movimento União Brasil Caminhoneiro (MUBC). "O pedido foi feito para que realmente eles (os cegonheiros) não ficasem parados em qualquer lugar. Se a paralisação continuar, amanhã iremos fazer uma reunião para decidirmos se apoiamos ou não (a manifestação), disse o presidente.

Boizinho ainda afirmou que, caso eles decidam pela greve, a indústria de carros será afetada pela decisão. "Nós transportamos 12 mil carros por dia no País, divididos em 1.100 carretas. Se nós pararmos as carretas, vai ser uma bola de neve, pois não iremos entregar os carros, assim a transportadora para, as entregas param e até a linha de produção da montadora irá parar".

Nova Lei
O protesto de caminhoneiros, iniciado na quarta-feira, é contra uma nova regra do governo, que exige um intervalo de descanso mínimo de 11 horas a cada 24 horas. Segundo o setor, há poucas áreas de descanso nas principais rodovias, o que inviabiliza o cumprimento da regra. Além disso, a medida também reduzirá o rendimento dos caminhoneiros. "O impacto é para todo mundo (setores da indústria)... mas ainda é coisa pequena", disse o presidente da União Nacional dos Caminhoneiros, José Araújo China da Silva, após reunião cm o ministro dos Transportes, Paulo Passos.

Segundo Silva, as regiões mais afetadas pelos bloqueios estão no Espírito Santo e Rio de Janeiro. Caminhoneiros que tentam furar o bloqueio são ameaçados e alguns veículos são até apedrejados. Paralisações desse tipo foram realizadas também em outras estradas de São Paulo e no Sul do País. "Neste momento, os que estão parados nas rodovias e nas suas garagens chegam a 75%", disse o presidente do Movimento União Brasil Caminhoneiro, Nélio Botelho, antes de encontro com o ministro. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Confederação Nacional dos Transportes (CNT) disseram não ter dados disponíveis sobre o impacto da paralisação nas indústrias.

Sem negociação
Os caminhoneiros querem o adiamento por ano da lei que determina, entre outras coisas, o intervalo de descanso. Mas o governo já sinaliza que não negociará enquanto os trabalhadores mantiverem a greve. "O governo não vai negociar sob greve", disse Diumar Bueno, presidente da CNTA (Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos), que representa 1,2 milhão de caminhoneiros no País, de mais de 2 milhões autônomos. Segundo ele, o governo pretender apresentar uma resposta às reivindicações no dia 8 de agosto, mas apenas se os bloqueios forem suspensos.

Polêmica
O Ministério Público do Trabalho (MPT) deve abrir investigações a respeito da denúncia de participação de empresas nas manifestações de caminhoneiros nas rodovias, iniciadas na última quarta-feira, dia 25. Na última sexta-feira, duas confederações nacionais de trabalhadores do setor denunciaram publicamente a ocorrência de locaute (greve patronal, que é proibida por lei).

Entre as reivindicações do Movimento União Brasil Caminhoneiro está o adiamento por um ano da vigência da Lei Federal 12.619. O movimento alega que as exigências impostas pela lei são "inviáveis por falta de infraestrutura nas estradas". Sancionada em abril deste ano, a lei tornou obrigatório o controle de jornada de trabalho de todos os motoristas que trabalham no transporte rodoviário de cargas e passageiros.

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