- Ricardo Santos
- Direto de São Paulo
Caso haja uma colaboração entre governo federal, empresários e setor financeiro, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil deve crescer 4% no segundo semestre, afirmou nesta quarta-feira o ministro da Fazenda, Guido Mantega. No entanto, ele se negou a fazer uma estimativa de crescimento anual. O Banco Central reduziu na última semana a expectativa de alta de 3,5% para 2,5% em 2012.
"Olha, eu não estou aqui para fazer projeções de PIB. Nós temos várias agências, vários economistas com mais propriedade do que eu. Estou dizendo que nós podemos trabalhar para 3,5%, 4% no segundo semestre. Aí você faz a conta. Nós não fechamos ainda o primeiro semestre, então eu não sei", afirmou ele, em entrevista coletiva após seminário econômico promovido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e pelo Grupo de Líderes Empresariais (Lide).
"Eu estou olhando para a frente. Nós continuaremos lutando para ter o maior PIB possível neste ano, essa é a nossa função", completou. De acordo com Mantega, que ressaltou a gravidade da crise mundial e seus efeitos na economia brasileira, o crescimento citado só será possível se houver "ousadia" dos três atores: governo federal, empresariado e setor financeiro. O primeiro, segundo ele, deve tomar medidas "principalmente na área tributária e nos custos da infraestrutura".
"Mas a ousadia não pode ser só do governo, o setor privado fazer investimentos, acreditando que vai ter mercado e aumentando a competitividade. E o setor financeiro tem que liberar mais crédito e reduzir o spread", enumerou ele. "Se os três fizermos isso, nós superamos essa crise com certa facilidade e no ano que vem estaremos crescendo mais de 4% ao ano."