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 Junho: um mês para Eike Batista e Abilio Diniz esquecerem

29 de junho de 2012 • 13h56 •  atualizado 14h11

Abilio Diniz deixou posto de comando no grupo que ajudou a construir

Abilio Diniz deixou posto de comando no grupo que ajudou a construir
Foto: Divulgação

O mês de junho foi marcante negativamente para dois dos maiores empresários brasileiros. Abilio Diniz transferiu o comando da holding controladora do Grupo Pão de Açúcar para o sócio francês Casino, deixando de ter a decisão sobre a rede que ajudou a construir com seu pai em uma história de mais de 50 anos. Já o homem mais rico do País, Eike Batista, viu as ações de suas empresas "derreterem" na Bovespa, principalmente devido a desconfiança nas projeções da petrolífera OGX, que desvalorizou cerca de 40% em apenas dois dias.

A saída de Diniz do cargo chefe era a mais anunciada. Desde que tentou construir uma fusão do Pão de Açúcar com o arquirrival do casino na França, o Carrefour, o presidente do sócio francês, Jean Charles Naouri, deu indícios de que iria exercer seu direito de adquirir a maior parte das ações e assumir o controle da holding Wilkes, conforme acordo firmado em 2005. Mesmo assim, Diniz proferiu um discurso emocionado na reunião que transferiu o poder a Naouri.

"Sempre digo que há três coisas que detesto: cebola, despertador e despedida. Não façam de hoje um dia de tristeza. Considerem toda a emoção desta transferência de controle como algo normal. Temos de acreditar que a vida continua, que a vida é bela, que o mais importante é saúde e que, com saúde e com força, a gente vai buscar o que quer. Encarem com confiança. Com fé em Deus, vamos em frente", afirmou Diniz.

O Casino investiu pela primeira vez no Pão de Açúcar em 1999, quando resgatou o grupo de dificuldades. Apesar do empresário brasileiro reter o título de presidente do conselho do Pão de Açúcar, seu peso na tomada de decisões será bastante reduzido, já que suas manobras dependerão da aprovação do Casino.

Embora tenha sido questionado nos últimos anos sobre a capacidade de gerar lucro de suas empresas, Eike Batista viu a desconfiança se agravar nesta semana após um relatório mostrar uma produção de apenas um terço do esperado para a petrolífera OGX. A queda das ações gerou um "efeito cascata" nos papéis de outras empresas do Grupo EBX, como a mineradora MMX, que caiu 17%, e a empresa de logística LLX, que teve queda de 8,07%.

Com a queda das ações de suas empresas, o empresário Eike Batista, o homem mais rico do Brasil, passou para a 27º posição no ranking dos mais ricos do mundo, de acordo com lista da Bloomberg. Já a revista americana Forbes, que anualmente divulga uma lista com as pessoas mais ricas do mundo, afirmou que o brasileiro, ranqueado como 7º mais rico em março, estaria hoje apenas na 46ª posição. Atualmente, a fortuna estimada de Eike é de US$ 19,6 bilhões.

Constantemente ativo no microblog Twitter, Eike Batista ainda não se manifestou sobre a desvalorização de suas empresas. Segundo analistas, Eike vai ter que recuperar a credibilidade nos próximos meses para que as ações voltem a subir, no entanto elas devem se assentar em um patamar mais baixo. Junho chega ao fim como um mês que os dois possivelmente gostariam de esquecer.

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