Convocados por vários grupos do movimento dos "indignados", os manifestantes marcharam previamente durante duas horas.
Pelo caminho, pregaram cartazes em cada agência do Bankia, onde se podia ler as inscrições: "Este banco engana, frauda e tira as pessoas de suas casas", em alusão aos despejos de proprietários que não conseguiram honrar suas hipotecas e aos "produtos tóxicos" vendidos pela entidade.
Em frente à sede do banco, protegida por policiais da tropa de choque, os manifestantes gritaram: "Ladrões! Culpados!", constatou uma jornalista da AFP.
"Não pagamos sua dívida", "Queremos uma solução, banqueiros na prisão", gritaram, ainda, os manifestantes, fazendo barulho com tambores, panelas e apitos.
"Começamos com as panelas quando o prêmio de risco superou os 500 pontos", contou Alejandra Pinel, estudante de direito de 25 anos, referindo-se à disparada das taxas de juros da dívida espanhola, que tornaram muito caro para Madri captar capital no mercado financeiro.
Os manifestantes denunciaram o resgate público de 23,5 bilhões de euros do Bankia e o plano de resgate europeu de até 100 bilhões de euros, destinado aos bancos espanhóis, cujos detalhes estão por definir. "Resgate bancário = roubo cidadão", dizia um cartaz. "Querem tornar esta dívida privada dos bancos em dívida pública", denunciou Oscar, desempregado de 46 anos.
Na quinta-feira passada, os "indignados" apresentaram uma denúncia contra a antiga direção do Bankia por "falsidade contábil" e "fraude mercantil". Segundo o advogado Juan Moreno Yagüe, de acordo com o Código penal, poderiam ser condenados a penas de "um a seis anos de prisão", acrescentou.
O novo presidente do banco, José Ignacio Goirigolzarri, admitiu "erros" na criação do banco, surgido da fusão de sete cadernetas de poupança e sua entrada na bolsa em julho de 2011. Desde então, o banco revisou suas contas e reconheceu perdas de 2,979 bilhões de euros, após ter publicado primeiro lucros de 309 milhões de euros. A ação perdeu desde então mais de dois terços de seu valor. Trata-se da quarta denúncia contra o Bankia, após as apresentadas pelo sindicato Manos Limpias, considerado de extrema direita, o partido UPyD e uma facção do movimento Democracia Real Já.
A promotoria anticorrupção também abriu uma investigação preliminar para comnprovar se houve algum delito na criação do Bankia e sua entrada na bolsa.
- Terra
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