O dólar operava próximo da estabilidade nesta terça-feira, em linha com o movimento dos mercados internacionais e após fortes ganhos registrados pela divisa na sessão anterior. Os investidores continuavam influenciados por temores em relação à crise do setor bancário espanhol e por expectativas acerca do resultado das eleições na Grécia no domingo, que pode definir o futuro do país na zona do euro. Às 11h24 (de Brasília), o dólar tinha ligeira retração de 0,01%, cotado a R$ 2,0571. Em relação a uma cesta de moedas, a divisa dos Estados Unidos subia 0,22%.
"Hoje, o mercado de renda variável está propenso a risco, e o nosso mercado de câmbio está acompanhando esse movimento, principalmente o índice S&P 500, que serve como um termômetro", afirmou o economista-chefe do CM Capital Markets, Darwin Dib. O índice S&P 500 tinha oscilação positiva de 0,01%.
Os investidores ainda avaliavam o empréstimo de até 100 bilhões de euros que os ministros das Finanças da zona do euro aceitaram em dar para a Espanha no final de semana, com o objetivo de recapitalizar os bancos do país.
O resultado das eleições na Grécia, marcadas para domingo, também mantinham os investidores cautelosos, ao passo que o partido da esquerda-radical, que se opõe às políticas de austeridade impostas em troca dos empréstimos da União Europeia (UE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI), deve ter bom desempenho nas eleições.
Para Dib, tais temores podem levar a uma inversão dos mercados ainda nesta sessão. "Se houver uma reversão no mercado de renda variável lá fora, não tenho dúvida de que o nosso câmbio irá acompanhar", afirmou.
Nesse cenário, podem haver novas intervenções do BC no mercado por meio de leilões de swap cambial tradicional -operação que equivale a uma venda de dólares no mercado futuro, segundo agentes do mercado.
Na última sessão, a autoridade monetária anunciou uma operação desse tipo quando o dólar estava cotado por volta de R$ 2,03, mas não impediu que a moeda subisse mais de 1% no fechamento da sessão. Em sessões anteriores, o BC atuou com o dólar próximo de R$ 2,05, levando alguns agentes de mercado a acreditar na defesa de um patamar abaixo desse nível.
Para um economista sênior de um grande banco internacional, o governo deve permitir o dólar próximo a R$ 2,05, pois a atividade econômica mais fraca está evitando repasses à inflação. Entretanto, se a moeda americana continuar nesses patamares por muito tempo, tal repasse pode ser inevitável.
Dib, da CM Capital Markets, acredita que, se o dólar ficar acima de R$ 2 por mais um mês ou dois, haverá impacto inflacionário e o governo poderá intervir de forma mais contundente, zerando o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) em operações no mercado futuro, por exemplo.