Os líderes da União Europeia (UE) fixaram nesta quarta-feira suas prioridades para a agenda de crescimento que aprovarão na cúpula de junho, em uma reunião informal que serviu para constatar a ruptura do eixo franco-alemão em torno dos eurobônus e o consenso para abrir uma nova etapa na união monetária.
Em uma reunião sem grandes novidades, o mais notável foi o enfoque dos chefes de Estado e de governo em propostas que não têm reflexos de prosperar de forma imediata, enquanto passaram pisando em ovos sobre situações de mais curto prazo.
Entre elas, os apelos do presidente do Governo espanhol, Mariano Rajoy, que falou sobre a necessidade de colaboração do Banco Central Europeu (BCE) para garantir liquidez e sustentar as dívidas públicas.
Ao contrário do previsto, o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, não comentou o assunto durante sua entrevista coletiva, e o principal responsável do BCE, Mario Draghi, não deu nenhuma indicação sobre uma possível atuação da instituição como pede uma Espanha acossada nos mercados.
Draghi assegurou que o Banco continuará fazendo "tudo o que for necessário" para salvaguardar a estabilidade da zona do euro e apontou vias alternativas para dispor de liquidez.
Neste contexto, e embora fosse previsto, a diferença exposta pela chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, François Hollande, em torno da possível emissão de dívida comum na eurozona foi o centro de atenção da cúpula.
O presidente francês assegurou que não esteve só na defesa dos eurobônus e que ao contrário dele, Merkel não considera a mutualização da dívida um elemento de crescimento, a não ser com a perspectiva a longo prazo de integração.
"Eu tenho outra concepção. É a ocasião de mutualizar uma dívida não do passado, mas futura, para que os países possam ter acesso mais facilmente ao financiamento no mercado", destacou.
Merkel, que admitiu essas diferenças com Hollande, acredita que os eurobônus não contribuem para escorar o crescimento e que as taxas de juros unificados geradas pela introdução do euro não contribuíram para melhorar a competitividade em todos os Estados-membros.
Apesar dessas divergências no eixo franco-alemão, houve um "consenso geral" sobre a necessidade de "elevar a área da moeda comum a um novo nível", ou seja, fortalecer a união econômica para torná-la mais de acordo com a união monetária.
Van Rompuy preparará as bases e o método para essa transformação já para a cúpula dos dias 28 e 29 de junho junto com os presidentes do BCE, da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, e do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker. Por enquanto não se descarta nenhuma via para proceder a essa maior integração entre as economias do euro.
"Faremos tudo o que tivermos que fazer no marco dos atuais tratados", assinalou o presidente do Conselho Europeu, que não descartou ir em frente, lembrando que a UE conta com vias amplas a sua disposição, como por exemplo novos tratados intergovernamentais.
O político belga ressaltou que por enquanto é "cedo demais" para entrar em detalhes, embora tenha citado os eurobônus como um exemplo dos instrumentos disponíveis para essa reforma a longo prazo do funcionamento da zona do euro.
Outros assuntos levantados por alguns países, detalhou, foram uma supervisão e resolução bancária mais integrada, além do começo de um sistema comum de garantias de depósitos.
Para o curto prazo, as receitas de crescimento da UE se centram em um aumento do capital do Banco Europeu de Investimentos (BEI), que se pretende aprovar em junho, e no uso de bônus para financiar projetos de infraestrutura.
Os líderes também reafirmaram seu compromisso de salvaguardar a estabilidade financeira e a integridade da eurozona. Neste sentido, eles voltaram a defender que a Grécia continue no euro e siga recebendo solidariedade europeia através da ajuda financeira, mas sempre que o governo que sair das eleições do dia 17 de junho cumpra os compromissos contraídos.
- EFE
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