O presidente de Bolívia, Evo Morales, anunciou nesta terça-feira a nacionalização da Transportadora de Eletricidade S.A., filial local de transmissão de energia elétrica do grupo espanhol Red Eléctrica. O líder boliviano tomou a medida após criticar o nível de investimentos da companhia no país, e ordenou ao Exército que ocupasse as instalações da empresa.
A ação ocorre apenas duas semanas após o governo da Argentina, país aliado da Bolívia, apresentar ao Congresso um plano para expropriar 51% das ações da petroleira YPF, pertencente à espanhola Repsol, também como reação ao nível de investimentos da companhia, considerado insuficiente.
"Como justa homenagem a todo o povo boliviano que tem lutado pela recuperação dos seus recursos naturais, pela recuperação dos serviços básicos, nacionalizamos a transmissora de eletricidade em nome do povo boliviano", disse o presidente Evo Morales em ato na capital, La Paz.
A Red Eléctrica possui uma participação indireta de 99,94% na Transportadora de Electricidad (TDE), que administra mais de 1,9 mil km de linhas de transmissão de energia. Morales afirmou que a TDE, criada em 1997 durante a privatização do setor elétrico e que está sob controle da Red Eléctrica desde 2002, investiu apenas US$ 81 milhões nos últimos 16 anos. O mandatário já havia nacionalizado o setor de hidrocarbonetos em 1 de maio de 2006.