O dólar teve uma alta nesta segunda-feira e sua cotação atingiu R$ 1,9070 na venda - o maior patamar desde 22 de setembro do ano passado, quando fechou cotado a exatamente R$ 1,9000. A valorização de 1,08% foi ajudada por em cenário externo mais negativo.
A moeda americana encerrou o mês de abril com uma valorização de 4,42% ante o real. A amplicação de ganhos se deu após uma atuação mais intensa do Banco Central este mês, que chegou a realizar dois leilões de compra de dólares por sessão e fez com que o movimento do dólar ante o real se descolasse do exterior.
Com os ganhos do mês, a moeda acumula alta de 2,06 por cento no ano. Em março, o dólar já havia acumulado valorização de 6,17%, mas em fevereiro e janeiro o movimento havia sido contrário, com quedas de 1,55% e de 6,50%, respectivamente.
"O movimento do mês foi marcado pela intervenção do Banco Central. A moeda teve essa dinâmica porque o mercado sabe que o governo vai atuar", disse o economista-sênior do BES Investimentos, Flávio Serrano. Para ele, sem a atuação do BC e ameaças do governo, que continuou a afirmar que poderia tomar medidas em relação ao câmbio, o dólar poderia estar entre R$ 1,70 e R$ 1,75.
Este mês, o BC pareceu disposto a deixar o dólar a se valorizar ante o real, sendo que entre os dias 12 e 18 chegou a
fazer dois leilões de compra de dólares no mercado à vista por sessão, muitas vezes com a moeda já em alta. Apenas no dia 19 de abril, quando a moeda chegou muito próxima do patamar de R$ 1,90, o BC optou por não atuar no mercado, voltando a fazer apenas um leilão de compra à vista no dia seguinte.
Na sexta-feira, o BC também fez apenas um leilão de compra de dólares no mercado à vista, sendo que nesta segunda-feira, com a moeda já em alta e o mercado esvaziado pela véspera do feriado do Dia do Trabalho, acabou não atuando.
O operador de câmbio da Interbolsa do Brasil Ovídio Soares não descarta que o dólar possa continuar acima de R$ 1,90,
isso se o cenário externo continuar negativo. No entanto, avalia ele, o BC pode não desejar esse cenário, já que nesse patamar acredita que o câmbio traz um impacto inflacionário. "Caso a moeda subisse mais ele poderia até fazer um leilão
de venda de dólares, em vez de compra. Mas acho difícil, já que teria que fazer isso em um dia em que o dólar estivesse muito estressado, porque senão deixaria claro para o mercado que o patamar que ele quer é próximo a R$ 1,90", disse o operador.
Fonte da equipe econômica afirmou na semana passada à
Reuters que o governo via uma "janela de oportunidade" para levar o dólar a um outro patamar, trazendo-o mais próximo a R$ 1,90, aproveitando o cenário externo mais delicado, e sem colocar em risco a inflação no País.
Para o operador, o cenário externo também ajudou a puxar a cotação do dólar para cima, já que preocupações com a Europa voltaram à tona, principalmente com a Espanha, assim como uma desaceleração da economia chinesa. Na manhã de hoje, a notícia que mais preocupou foi justamente em relação à economia espanhola, que oficialmente entrou em recessão.