A crise empresarial da zona do euro se aprofundou a um ritmo bem mais rápido do que o esperado em abril, sugerindo que a economia permanecerá em recessão pelo menos até o segundo semestre do ano.
Já as fábricas chinesas tiveram seu melhor desempenho neste ano, conforme também mostraram os últimos índices de gerentes de compra (PMIs, na sigla em inglês) nesta segunda-feira. Os economistas, porém, concentraram suas atenções sobre a perspectiva sombria da zona do euro, que foi pior do que qualquer projeção em uma pesquisa da Reuters.O índice de gerentes de compras do instituto Markit caiu para 47,9 pontos ante 49,2 em março, o menor nível em cinco meses, abaixo da previsão de aumento para 49,3."Os dados deprimentes do PMI de hoje indicam claramente que a economia da zona do euro continua em apuros", disse o economista sênior do ING, Martin Van Vliet."Nosso cenário-base ainda é de um retorno gradual a um crescimento modestamente positivo no segundo semestre deste ano; mas com a permanência da crise da dívida e com o atual peso da política fiscal, os riscos claramente se inclinam para uma recessão mais prolongada".As fábricas europeias tiveram o pior mês desde junho de 2009. As empresas disseram que suas carteiras de encomendas estavam diminuindo e que elas estavam cortando empregos em reação à queda da demanda.O índice global caiu mais abaixo da marca de 50, que divide crescimento de contração.Perdendo forçaOs Estados Unidos são a única economia ocidental a dar uma contribuição significativa para o crescimento econômico global, mas dados de emprego surpreendentemente fracos na semana passada levantaram dúvidas sobre se isso vai continuar."Estamos operando sob a suposição de que a economia dos Estados Unidos está se fortalecendo, mas há um medo claro de que, se outras partes do mundo estão perdendo força, haverá um impacto sobre os Estados Unidos também", disse o economista do Commerzbank Peter Dixon.As fábricas chinesas mostraram pelo menos alguns sinais de melhora em abril, com leituras de produção e pedidos de exportação registrando alta. O PMI preliminar do HSBC apoiou a visão de que a taxa de crescimento da China saiu do piso no primeiro trimestre do ano.O índice geral, primeiro indicador da atividade industrial da China no mês, recuperou-se ligeiramente para 49,1 em abril, ante uma leitura final de 48,3 em março, mas ainda abaixo do nível 50, que separa o crescimento econômico de contração.O pior está por vir
Nações industrializas e emergentes prometeram mais US$ 430 bilhões para aumentar o poder de empréstimo do Fundo Monetário Internacional (FMI) neste fim de semana, duplicando o tamanho dos cofres do Fundo para combater a crise, no caso de os problemas da Europa piorarem.Chefes de Finanças do mundo pressionaram a Europa a implementar as reformas econômicas necessárias para extinguir sua crise da dívida soberana, com um sentimento crescente de que a zona euro vai ter que fazer mais para encorajar o crescimento econômico em vez de apenas cortes orçamentários.O PMI apontou piora da demanda por bens, com a carteira de encomendas encolhendo a um ritmo mais rápido em abril.Economistas consultados pela Reuters na semana passada estimaram que a economia da zona do euro encolheu 0,2% no primeiro trimestre, e que cairá 0,1% neste trimestre.O economista-chefe do Markit, Chris Williamson, destacou a contração muito grave que está ocorrendo nas duas maiores economias da zona do euro, a França e a Alemanha, levantando questões sobre a eficácia das duras medidas de austeridade."As receitas fiscais serão baixas e o desemprego vai continuar crescendo; então essas políticas de combate ao déficit estão funcionando?", disse.O PMI do setor manufatureiro da zona do euro também ficou abaixo de todas as previsões dos economistas, registrando 46,0 em abril - a leitura mais baixa desde junho de 2009 e bem abaixo dos 47,7 em março.No lado positivo, os PMIs do setor industrial sugeriram que as pressões inflacionárias estão diminuindo após um aumento associado aos preços do petróleo no início do ano, com o índice de preços na produção atingindo o menor nível em seis meses, de 50,5, ante 51,2 em março."Isso sugere que os formuladores de políticas deveriam estar mais preocupados com as perspectivas de crescimento do que com as perspectivas de inflação neste momento. A demanda é tão fraca que as empresas simplesmente não podem avançar com os aumentos dos preços", disse Williamson.
- Reuters News


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