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 Dieese prevê ganhos salariais acima da inflação neste ano

21 de Março de 2012 • 18h04 •  atualizado 18h17

Os trabalhadores podem ter um cenário de correções salariais acima da inflação no geral. A previsão foi feita nesta quarta-feira pelo economista José Silvestre, coordenador de Relações Sindicais do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), ao apresentar o Balanço das Negociações dos Reajustes Salariais de 2011. "Não há nada no cenário (econômico) que indique que nós tenhamos em 2012 um recuo do ponto de vista dos ganhos reais (acima da inflação)".

De acordo com o balanço do Dieese, 87% das negociações, no ano passado, resultaram em aumentos acima do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Silvestre acredita que esse êxito nas barganhas com os empresários tende a se repetir neste ano.

A estimativa, segundo ele, vem de vários fatores. Em primeiro lugar, porque o mercado interno deve continuar aquecido, podendo inclusive compensar eventuais adversidades provocadas pelo desaquecimento no mercado internacional como, por exemplo, a perda de espaço da indústria brasileira. Além disso, ele apontou como favorável a sinalização do Comitê de Política Monetária (Copom) de que a taxa básica de juros, a Selic, continuará em queda.

Outros fatores que poderão auxiliar os representantes das classes trabalhadoras a convencer os patrões a conceder aumentos em índices superiores à inflação, segundo Silvestre, são o reajuste do salário mínimo, que passou de R$ 545 para R$ 622, em janeiro, e a taxa de inflação com estimativa de ficar abaixo da registrada no ano passado (6,5%).

Ele reconheceu que o processo conhecido como desindustrialização poderá dificultar um pouco as negociações. Mas ainda assim está convicto de que os trabalhadores, principalmente aqueles com data-base no segundo semestre, têm grandes chances de manter as correções com taxas acima da inflação.

No ano passado, em 90% dos reajustes obtidos pelos empregados da indústria, os índices ficaram acima da inflação, mantendo-se a média de aumentos reais dos últimos quatros anos. A maioria, porém, ficou na faixa de ganhos entre 1% e 2%. Já o universo de negociações com correção inferior à inflação atingiu os 3%.

No comércio, os ganhos reais atingiram 97,3% das negociações e apenas 1% teve aumentos inferiores à inflação. No setor de serviços, as negociações foram favoráveis em 76,3% dos casos e, em 12%, houve perda salarial.

Agência Brasil
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