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 Energia eólica agita mercado imobiliário no Nordeste brasileiro

30 de novembro de 2011 • 17h04 •  atualizado 17h34

Além da presença crescente nos leilões de energia elétrica no Brasil, os projetos de energia eólica têm ventilado o mercado imobiliário das regiões do País propícias à instalação de aerogeradores. Vender um terreno para uma central eólica ou arrendar partes dele para a instalação de torres tem se tornado um bom negócio, principalmente em regiões mais pobres do semi-árido nordestino.

Segundo a Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), as empresas do setor devem investir R$ 30 bilhões até 2014.

Para levar adiante esses investimentos, a localização é parte fundamental do negócio. Terras com ventos fortes e constantes são procuradas para a instalação de futuros parques. Os principais pólos são o sul do País, o litoral nordestino e, mais recentemente, o interior do Nordeste.

Em geral, os empreendedores preferem arrendar parte do terreno para instalar as torres, pagando ao proprietário da terra uma espécie de "royalty" que varia de 0,5% a 1,5% da receita líquida de cada máquina.

"Estimamos que hoje se pague por ano de R$ 15 milhões a R$ 20 milhões em arrendamento aos proprietários de terra nos parques já operando ou que estão entrando em operação", disse o presidente da Abeeólica, Ricardo Simões, à Reuters.

Segundo o especialista Odilon Camargo, fundador da Camargo Schubert Engenheiros Associados, a prática de arrendamentos para parques eólicos é mais comum em terras que já possuem atividades econômicas - que, depois, dividem o espaço com os aerogeradores.

Por outro lado, onde não havia atividade, algumas centrais eólicas compram as terras. "Depende muito do preço e do empreendedor. Há locais em que a empresa compra e outros em que arrenda. Onde não havia atividade, em alguns casos o empreendedor compra", disse Camargo.

Segundo o especialista, em alguns lugares, como no interior do Nordeste - visto como a nova fronteira da produção eólica - começa a haver competição por localidades, aumentando o preço da terra em regiões antes pouco valorizadas. "Está havendo uma movimentação no mercado imobiliário do semi-árido", disse Camargo.

Busca por terras
Em uma busca simples pela internet, é fácil encontrar anúncios de terrenos à venda "com potencial para energia eólica", principalmente no Nordeste.

"Os corretores ligam para oferecer terra para vender ou arrendar. Começa a aparecer um monte de intermediários, mas temos equipe própria que vai avaliar as terras", disse o sócio e co-presidente da Renova Energia, Renato Amaral.

Segundo ele, a empresa está investindo R$ 3,8 bilhões para instalar entre 600 e 700 aerogeradores de 80 m no interior da Bahia. "Já estamos há quatro anos no semi-árido. Somos a primeira empresa do setor na região", disse.

A Renova Energia tem, contratados, 1.075 megawatts (MW) para entrar em operação nos próximos anos no mercado cativo, além de mais 400 MW no mercado livre.

Segundo Amaral, a companhia tem contratos de arrendamentos com mais de 1,5 mil proprietários de terra, em sua maioria com lotes de menos de 500 hectares.

Ele confirma que houve valorização da terra em algumas regiões do Nordeste, mas alerta que comprar terra para especular é uma aposta arriscada, porque não necessariamente ela será futuramente usada para exploração eólica.

Em geral, é preciso fazer medição do vento antes de inscrever um projeto em um leilão. Depois, para conseguir um contrato de venda de energia, é preciso estar entre os vitoriosos nos leilões de energia promovidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) ou fechar uma venda no mercado livre.

"Esse processo demora de quatro a cinco anos", salientou o presidente do Sindicato das Empresas Imobiliárias do Rio Grande do Norte (Secovi-RN), Jailson Dantas.

Segundo ele, alguns donos de terra fecharam contratos de risco com geradores de energia eólica tendo em vista possíveis futuros ganhos. "Teve gente que locou e está aguardando. Tem de esperar a maturação", disse Dantas.

Ventos da Caatinga
O interior do Nordeste é a próxima grande fronteira do setor de energia eólica no Brasil. Segundo o presidente da Abeeólica, o semi-árido tem potencial para gerar, no futuro, cerca de 100 mil megawatts (MW).

A capacidade de geração de energia total instalada no País atualmente é de 116,3 mil MW, segundo dados da Aneel, com apenas pouco mais de 1 mil MW correspondentes à fonte eólica.

O consultor Camargo acredita que o potencial pode ser atingido a partir do desenvolvimento tecnológico dos aerogeradores no Brasil, com torres cada vez mais altas, de mais de 100 m de altura, e mais produtivas.

Segundo ele, o Nordeste tem cerca de 5,6 mil MW de energia eólica contratada até 2014, dos quais cerca de 4,6 mil MW devem vir do interior da região.

Além dos ventos, principalmente durante a noite, o semi-árido tem outras vantagens. "Não tem a maresia e ainda fica mais perto das grandes linhas de transmissão do setor elétrico", disse Camargo.

A exploração econômica da região da caatinga tem proporcionado ainda um processo de regularização das terras. Se antes a baixa valorização estimulava a informalidade, a necessidade de inscrever as localidades nos leilões da Aneel vem aumentando a regularização dos lotes.

"Tem que ter a regularização. Se estiver faltando qualquer coisa, você tem dificuldade para participar do leilão", disse Dantas, do Secovi-RN.
Reuters News


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