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 Ministro da Defesa cancela "licença-fome" na Marinha

15 de abril de 2011 • 04h05 •  atualizado 04h13

BBC Brasil




Os quartéis da Força Naval não iriam funcionar nesta sexta-feira, mas foram surpreendidos, ontem, por orientação direta do ministro da Defesa, Nelson Jobim, com a suspensão da licença para fazer economia com alimentação, luz, água e telefone. A segunda ordem ocorreu porque o dia sem expediente fora anunciado pela Marinha antes de serem definidas pelo Ministério da Defesa as áreas onde quartéis das três Forças Armadas terão que apertar cintos em função do corte de R$ 4,03 bilhões no orçamento deste ano.

Batizado internamente nos quartéis da Marinha de "licença-fome", o dia sem expediente já estava programado para ocorrer hoje e no dia 29, conforme a Coluna Força Militar de O Dia revelou no último sábado de março. Para o mês que vem, já estava pronto documento fixando folga-pagamento para o dia 6 e licenças para economia de despesas para as sextas-feiras 13, 20 e 27. A volta do expediente provocou correria em algumas unidades do Rio de Janeiro, de modo a reprogramar a alimentação das tropas para o dia hoje.

Oficialmente, o Ministério da Defesa se limitou a confirmar o recuo nas licenças na Marinha. Mas, internamente, a informação é que a Força Naval se precipitou ao determinar medidas para corte de despesas, antes que elas fossem analisadas pelas áreas técnicas da pasta.

"A análise foi concluída. Cada comando enviou suas propostas e elas ainda estão em estudo", disse uma fonte civil da Defesa. "A licença não contava com respaldo", completou.

Intenção é preservar o reaparelhamento dos quartéis
Mantidas com discrição dentro dos comandos das Forças Armadas, as medidas sugeridas para corte de despesas miram na preservação dos planos de reaparelhamento. Por isso, apontam para alteração da rotina dos quartéis, desde que a medida sirva para manter o fluxo de recursos dos projetos com compromissos internacionais assumidos.

Neste caso, estariam o Pró-Sub (Programa de Desenvolvimento de Submarinos, acertado entre Brasil e França e orçado em R$ 6,7 bilhões) e o KC-390 (desenvolvimento de avião de assalto ao custo de R$ 3 bi). Ainda assim, fontes internas dão conta de que R$ 1,2 bi do reaparelhamento será afetado pelo contingenciamento do orçamento do governo federal para 2011.

FAB pode fixar meio-expediente
Na Força Aérea, estuda-se adiar treinamentos de voo e fixar meio expediente, também como a Coluna Força Militar antecipou em março. A jornada ficaria de segunda a quinta-feira, das 13h às 17h, e às sextas, das 8h às 12h. Tal medida depende, porém, do respaldo do Ministério da Defesa.

No Exército, discute-se reduzir a incorporação de recrutas que ingressam no segundo semestre. A deste semestre não sofreu alteração ante a indefinição sobre medidas de contenção.

O Dia
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