Domingo, 8 de novembro de 2009, 11h00
|
  |
Fonte: Redação Terra
|
Economia nacional
Férias no exterior: confira dicas para comprar moeda estrangeira
Peter Fussy
Direto de São Paulo
A queda do dólar nos últimos meses reacendeu o interesse dos brasileiros em viajar para o exterior nas férias de verão. Com a proximidade do patamar de R$ 1,70, a procura pela moeda americana para viagens aumentou e nem mesmo a taxação do investimento estrangeiro conseguiu elevar o preço da divisa. No entanto, o governo já disse que estuda novas medidas para controlar o câmbio no País, o que pode afetar a cotação nas próximas semanas. Especialistas afirmam que a cotação atual é interessante e dão dicas de como pagar menos e fazer uma transação segura.
De acordo com o diretor da corretora de câmbio NGO, Sidnei Moura Nehme, as possíveis medidas que o governo pode adotar devem aperfeiçoar o mercado de câmbio nacional contra a especulação, mas o importante foi a mudança de comportamento do Banco Central, que reduziu as compras nos leilões de dólar. Por isso, há um viés de alta da divisa americana, com volatilidade, até que seja alcançado um equilíbrio. "Ousamos em afirmar que, em perspectiva, é mais razoável projetar o preço da moeda americana mais próxima de R$ 1,80 do que de R$ 1,70", afirmou.
Assim, para quem quer viajar, pode ser interessante se apressar. Passagens aéreas e hotéis podem ser fechados na cotação do dia de assinatura dos pacotes e pagos em real posteriormente - apenas quando o hotel é reservado à parte que é preciso atentar para o pagamento na saída ou no dia da reserva. No entanto, é preciso ficar atento para a taxa de câmbio utilizada pela operadora de turismo, que não é obrigada a seguir uma cotação oficial. Na última quinta-feira, a CVC utilizava cotação de R$ 1,78, enquanto o dólar comercial havia fechado a R$ 1,73 e o turismo a R$ 1,83 na véspera.
Segundo Luiz Ramos, diretor comercial do Grupo Fitta, que percebeu um aumento de 30% em outubro no movimento, as taxas variam diariamente, mas pode não ser vantajoso ficar adiando a assinatura do contrato à espera de uma queda maior da divisa. "A gente nunca tem certeza se o mercado de câmbio vai subir ou descer. Hoje em dia as variações estão muito pequenas. Essa espera por uma semana ou duas, pode ser um risco muito grande para economizar R$ 20", afirmou.
Desse modo, o maior risco de ser pego por uma mudança repentina do câmbio está no consumo durante a viagem. A forma mais simples, e menos segura, de garantir que o dólar de hoje esteja valendo a mesma coisa na época em que você viajar é comprar moeda em papel, ou um pouco mais seguro, em traveller check. Embora mais segura, a utilização do cartão de crédito nos gastos no exterior é mais perigosa, já que a fatura vai utilizar a cotação do dia do pagamento, que pode ser até 40 dias depois da compra - e nesse meio tempo a variação pode ser grande.
De acordo com Ramos, a maioria das pessoas que procuram as casas de câmbio ainda prefere adquirir papel moeda, mas este cenário está mudando. "Cada vez mais as pessoas conhecem os cartões carregáveis e experimentamos uma demanda crescente, mas a compra de moeda estrangeira ainda é o carro-forte", disse. Os cartões de débito internacionais funcionam com "recargas" feitas pelo usuário ou outra pessoa na cotação do dia e aquele valor, em dólares, permanece, não importa a cotação do momento em que é gasto.
Dentro deste sistema, as "recargas" podem ser feitas pouco a pouco, como a velha tática de comprar dólares gradualmente para diluir as variações cambiais e garantir uma boa cotação média. "Como o consumidor nunca vai acertar o ponto de mínima, ele faz uma boa compra e vai se programando com uma 'poupança' em moeda estrangeira. Dentro desse raciocínio fica fácil usar o cartão de débito. Com uma simples transferência bancária a empresa faz a carga e é possível ir comprando quando tiver disponibilidade, sem se deslocar todas as vezes até a loja", apontou.
Além disso, segundo Ramos, a cotação conseguida no cartão de débito é normalmente um pouco menor que a da moeda estrangeira. Segundo ele, na cotação do papel moeda estão inclusos os custos de carregar o dinheiro de um banco até a corretora - o que não acontece com o cartão.
Quanto à tributação, as duas operações pagam 0,38% de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) - enquanto no cartão de crédito a alíquota é de 2,38%. De acordo com o diretor comercial do Grupo Fitta, a cobrança do imposto é boa para atestar a idoneidade da corretora de câmbio.
"Até bom que tenha cobrança de IOF porque você vai ter certeza de que está comprando moeda em um representante credenciado do Banco Central. As empresas repassam esse custo ao consumidor, por isso, se não estiver cobrando, desconfie. Procure saber se é credenciado para ter certeza que não é mercado paralelo, sem riscos de adquirir moedas falsas", explicou. Em uma operação de câmbio legal de até R$ 10 mil será solicitado ao cliente apenas o CPF e o RG. Assim, o boleto de câmbio é emitido para a comprovação da origem legal do dinheiro.
Outra opção para se proteger das variações são os fundos cambiais, que acompanham o dólar por meio de títulos públicos cambiais e papéis que financiam as exportações, funcionando como "hedge" para quem pretende contrair dívida em moeda estrangeira. Ou seja, antes de viajar é preciso colocar o valor que espera gastar no fundo e se o dólar subir ou cair você permanece com o mesmo poder de compra. A aplicação tem um rendimento além da variação do dólar de 2% ou 3%, mas que é praticamente anulado pela taxa de administração, e um valor mínimo de aplicação em torno de R$ 1 mil.
Para evitar duas trocas de moeda é bom verificar se é possível comprar a moeda do país de destino diretamente no Brasil - atualmente pode se adquirir moeda chinesa, dólares australianos e neozelandeses, pesos argentinos e chilenos, entre outros, além do euro e da moeda americana.
» Confira mais notícias sobre Economia
Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização escrita da Redação Terra.