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Terça, 3 de novembro de 2009, 9h14

Fonte: Redação Terra

Economia Nacional

Produção da indústria brasileira sobe pelo 9º mês, diz IBGE

Atualizada às 12h13

O desempenho da indústria brasileira ficou um pouco abaixo do esperado em setembro, mas a composição do dado foi positiva: após três trimestres em queda, os investimentos voltaram a crescer. A produção avançou 0,8% em setembro sobre agosto e recuou 7,8% ante igual mês de 2008, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira. Foi a nona alta sobre o mês imediatamente anterior consecutiva.

Analistas ouvidos pela Reuters previam alta de 1,1% e queda de 6,8%, respectivamente.

O dado mensal ficou abaixo da expansão de 1,2% vista em agosto e da média de crescimento do ano de 1,6%, mas marcou o nono mês seguido de alta.

"Estamos voltando ao patamar de produção de março de 2007 e estamos cada vez mais nos aproximando do pico de setembro de 2008", disse Isabella Nunes, economista do IBGE.

O resultado de setembro foi abatido pelo segmento de veículos, afetado por paralisações de fábricas de automóveis. "Era um mês de dissídio. A produção de veículos vinha crescendo desde o início do ano e os trabalhadores decidiram parar algumas unidades para reivindicar salários maiores", afirmou Isabella.

A aceleração da queda anual deveu-se ao efeito calendário, uma vez que setembro deste ano teve um dia útil a menos.

Bens de capital destacam-se
Mês a mês, o impulso veio de 17 dos 27 setores com aumento da produção, com destaque para Máquinas e equipamentos (5,8%) e Veículos automotores (3,5%).

No primeiro, houve incentivo do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) menor para eletrodomésticos de linha branca, mas também produziu-se mais máquinas e equipamentos para a indústria, disse Isabella, enquanto o segundo foi puxado por autopeças e caminhões.

Entre as categorias de uso, bens de capital - que indica os investimentos - tiveram a maior alta, de 5,8%, acumulando no terceiro trimestre avanço de 6,1% ante o segundo. Bens intermediários subiram 0,8%, enquanto bens de consumo duráveis e de consumo semi e não duráveis tiveram queda, de, respectivamente, 1,1% e 0,7%.

"O crescimento... de bens de capital... confirma que a indústria retomou os investimentos na produção, refletindo uma maior confiança do empresariado na economia", afirmou Luciano Rostagno, analista do CM Capital Markets CCTVM.

"A expansão de bens de capital traz a perspectiva de continuidade de recuperação da atividade industrial nos próximos meses, apontando para uma recuperação sustentável."

O investimento, no entanto, ainda está aquém da média pré-crise e acumula perda de 27% em três trimestres.

"Não podemos esquecer que a indústria iniciou em 2004 um ciclo de investimento que não se via havia 30 anos e atingiu pico em setembro de 2008, antes da crise. Para ver essa recuperação em 2009 é preciso relativizar", disse Isabella.

Ano a ano, houve queda em 21 dos 27 setores, com destaque para Veículos automotores (-16,6%) e Máquinas e equipamentos (-20%). Todas as categorias de uso caíram, sendo o maior de bens de capital (-20,5%).

No ano, a produção caiu 11,6%. No terceiro trimestre, houve alta de 4,1% sobre o segundo, e recuo de 8,3% ante igual período de 2008. Foi a segunda alta seguida na comparação trimestral - acima da expansão de 3,9% no segundo trimestre - e o ritmo da queda anual diminiu.

Com informações da Reuters.

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