Quarta, 21 de outubro de 2009, 19h21
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Fonte: Investimentos e Notícias

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Política monetária
CNI: manutenção da Selic está em descompasso com a indústria
A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) de manter a taxa básica de juros em 8,75% ao ano, anunciada nesta quarta-feira, está em total descompasso com a situação industrial brasileira, afirmou o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto.
"A decisão não se justifica, pois a inflação está controlada e o crédito à pessoa jurídica ainda está comprometido. Essa situação requer novo corte nos juros", disse ele.
De acordo com Monteiro Neto, a indústria ainda mostra efeitos da crise internacional. "Diferentemente dos outros setores, esses efeitos são mais duradouros e de difícil reversão. Seus reflexos são perversos, afetam negativamente o emprego e a renda do País", afirmou.
O presidente da CNI disse ainda que, para que o Brasil possa dizer que efetivamente superou a crise, é necessária a recuperação da produção industrial e dos investimentos de longo prazo. "Para tanto, é fundamental uma taxa de juros menor que a atual e competitiva com as praticadas internacionalmente", disse, ao lembrar que a decisão do Copom sinaliza que o ciclo de cortes da Selic chegou ao fim.
O grande diferencial entre os juros reais do Brasil e os dos outros países atrai capital de curto prazo, que valoriza artificialmente o câmbio, disse Monteiro Neto.
"A valorização do real é um fato negativo, que prejudica ainda mais a atividade exportadora. A cobrança de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) sobre a entrada de capital externo é um paliativo eficiente, mas unicamente no curto prazo", afirmou.
Com a decisão desta quarta-feira, o Copom manteve a Selic em 8,75% ao ano pela segunda reunião seguida. Apesar da estabilidade, a taxa está no menor patamar desde sua criação, em 1999.
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