Quinta, 20 de agosto de 2009, 20h27
|
  |
Fonte: Redação Terra
|
Indústria automobilística
Nova montadora encara Brasil como maior desafio no ocidente
Fabiano Klostermann
Direto de São Paulo
Nascida em um país onde a venda em massa de seu produto é um fenômeno recente, a montadora chinesa Chery vê o Brasil como um desafio, tanto em relação a seus consumidores quanto às particularidades de seu mercado. A análise é do diretor executivo da empresa no País, Luís Curi, feita durante o lançamento oficial do primeiro modelo da empresa, o utilitário esportivo leve Tiggo.
Curi afirmou que o Brasil é o maior "teste" enfrentado pela Chery até agora em mercados ocidentais. Ele disse que a empresa planejava sua entrada no País há dois anos e teve que encarar adaptações em seu modelo de negócios.
"Na China todas as pessoas compram carro à vista, trazem o dinheiro em uma sacola e compram. Lá eles não dão um usado na compra de um novo, até porque esse mercado ainda não existe. No Brasil temos que lidar com consumidores que, às vezes, sabem mais até que o vendedor. Isso assustava eles (os chineses) um pouco", afirmou ele.
Outro fato que, segundo ele, traz problemas a empresas entrando no Brasil é a concentração do mercado de automóveis. Curi afirmou que quatro montadoras dominam 75%, mas se mostrou otimista, dizendo que a Chery vê espaço para mudança neste panorama.
A Chery inicia suas operações no Brasil com 31 revendas exclusivas em 14 Estados. A meta da empresa é fechar o ano com 55 lojas em 20 Estados, chegando a 4,5 mil unidades vendidas de seus quatro modelos. Em 2010, a intenção é fechar o ano com 10 mil carros comercializados.
Segundo Luís Curi, a ideia da montadora em sua operação no País é eliminar o "a partir de" nos valores de comercialização, oferecendo apenas modelos completos a preços competitivos.
Curi disse ainda que a montadora pretende alterar o estigma de que os produtos chineses são "baratos e sem qualidade", afirmando que o mesmo aconteceu há cerca de 15 anos com os automóveis coreanos, então desacreditados mas que conquistaram a confiança do brasileiro. "A identidade que queremos mostrar no Brasil é de qualidade, robustez e tecnologia".
O diretor afirmou que o abastecimento de peças para reposição é "mais que suficiente" e destacou o fato do modelo ter 3 anos de garantia total, com assistência 24 horas por dia, sete dias por semana.
Fábrica
A intenção da montadora chinesa Chery de construir uma fábrica no Brasil foi confirmada nesta quinta-feira por Curi. Segundo ele, uma comissão técnica está analisando a viabilidade do empreendimento e vários Estados e municípios já se ofereceram para abrigar a planta.
Em julho, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), afirmou que ele e o empresário Eike Batista, do grupo EBX, negociavam a instalação de três montadoras chinesas, entre elas a Chery, no porto Açu, no norte do Estado.
Curi afirmou que a equipe, formada por técnicos brasileiros e chineses, analisa entre outros fatores o custo final dos veículos da marca com uma possível produção no Brasil. No entanto, ele destacou que essa decisão só deve sair no ano que vem e que, enquanto isso, as importações do Uruguai e da China devem suprir as necessidades comerciais no País.
O diretor da Chery disse que a construção de uma possível planta brasileira atenderia não só ao consumo interno mas também as necessidades de exportação da montadora chinesa para os países que o Brasil mantém acordo de liberdade tarifária nas exportações (atualmente Mercosul e México).
"Tivemos propostas de vários Estados e várias cidades, mas ainda estamos aguardando a conclusão (dos trabalhos) desta comissão", disse.
A planta no Uruguai tem capacidade de produção para 25 mil veículos por ano e apenas monta veículos que vêm em módulos da China (CKD, da sigla em inglês). De acordo com o executivo, esta fábrica "serve para o primeiro estágio de desenvolvimento da Chery no Brasil e na Argentina".
Além do lançamento do Tiggo, a montadora anunciou que pretende trazer mais três modelos ao País até o final do ano: QQ, Face (chamado de A1 na China) e um modelo ainda sem nome comercial (A3 no mercado chinês). Este último terá um concurso com consumidores para definir como será batizado no Brasil.
O QQ, do segmento popular, deve chegar por R$ 22,9 mil, se tornando o carro mais barato do mercado nacional. Atualmente este posto é do Uno, da Fiat, que é vendido em média por R$ 23,6 mil em julho, segundo a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).
Já o Face é um monovolume e deve ser comercializado por aqui por R$ 29,9 mil. O carro foi desenvolvido quando a montadora chinesa tinha uma parceria com a Chrysler, com a intenção de ser comercializado no mercado americano. Como principais concorrentes do modelo estão o Fiat Idea e o Chevrolet Meriva. Já o modelo que ainda não tem nome definido chegará, segundo a Chery, por R$ 42,9 mil nas versões sedã e hatch.
De acordo com Curi, o Tiggo e o Face serão trazidos do Uruguai e o QQ e o modelo ainda sem nome no País virão da China.
» Veja fotos do lançamento
» Chinesa promete carro mais barato do Brasil
Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização escrita da Redação Terra.