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Segunda, 3 de novembro de 2008, 10h04

Fonte: Redação Terra

Empresas

Em meio à crise, Itaú e Unibanco anunciam fusão

Atualizada às 11h23

Os bancos Itaú e Unibanco anunciaram nesta segunda-feira a fusão de suas operações, em meio à crise financeira global. Segundo um comunicado oficial, as duas instituições decidiram pela união depois de 15 meses de conversas.

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Conforme informações divulgadas pelos bancos, o total de ativos combinado é de cerca de R$ 575 bilhões, tornando-se o maior do hemisfério sul e um dos 20 maiores do mundo.

O comunicado afirma que o conglomerado deve "reforçar sensivelmente a oferta de crédito ao mercado, correspondendo às expectativas de saudável e vigorosa resposta às demandas de empresas e pessoas físicas".

Os controladores da Itaúsa e Unibanco constituirão uma holding em modelo de governança compartilhada, com a presidência do Conselho de Administração a cargo de Pedro Moreira Salles, enquanto Roberto Egydio Setubal será presidente Executivo, segundo o anúncio.

Segundo as instituições, nada mudará operacionalmente, neste momento, para os clientes. Todos continuarão a utilizar normalmente os diferentes canais de atendimento, cheques, cartões e demais produtos e serviços.

De acordo com os bancos, o conglomerado contará com aproximadamente 4.800 agências e Postos de Atendimento Bancário (PABs), representando 18% da rede bancária, com cerca de 14,5 milhões de clientes de conta corrente, ou 18% do mercado. Em volume de crédito a fusão vai representar 19% do sistema brasileiro.

Os bancos marcaram para final de novembro e início de dezembro assembléias para aprovação das incorporações. O conselho de administração do Itaú Unibanco Holding terá 14 membros, dos quais seis serão indicados pela Itaúsa e pela família Moreira Salles.

O Banco Central (BC) ainda não se pronuncia sobre o assunto. Mais informações sobre como será realizada a união do Itaú e do Unibanco serão detalhadas na tarde desta segunda-feira em entrevista com Salles e Setubal, em São Paulo.

Repercussão
O mercado ainda está dividido sobre o que levou à fusão as duas instituições. Segundo o analista de instituições financeiras da Austin Rating Luiz Miguel Santacreu, a operação não pode ser encarada como conseqüência da situação financeira das empresas.

"Não se deve contaminar a análise, pelo momento atual, de que um teria 'comprado' o outro por problemas existentes. Os números de setembro foram bastante positivos para ambos os bancos. O momento pode ter acelerado essa decisão, mas existe um entendimento mais de médio e longo prazos nessa ação."

O analista ainda afirma que a transação faz parte de um movimento em curso do atual sistema financeiro brasileiro.

"É mais um passo no movimento de consolidação do setor em nível mundial e no Brasil. A compra do ABN pelo Santander e as negociações do Banco do Brasil para adquirir a Nossa Caixa podem ter funcionado como um catalizador. A união de Itaú e Unibanco seria uma reação, eles juntam esforços para ficar mais robustos para enfrentar a concorrência", disse. "Agora é preciso ver a sobreposição entre os dois bancos, porque eles têm famílias de produtos muito parecidas, agências, funcionários, clientes."

Já um relatório da RBC Markets Research vai em outra direção e levanta a possibilidade de o Unibanco passar por dificuldades.

"A compra do Unibanco pelo Itaú sugere que o Unibanco tenha tido sérias perdas (talvez relacionadas a grandes perdas de clientes corporativos em derivativos de câmbio ou em suas enormes operações de leasing de veículos), o que forçou o Unibanco a parar nas mãos do Itaú. Não há dúvidas de que o movimento de hoje foi parcialmente estruturado e influenciado pelo Banco Central. A pergunta agora é quem é o próximo? Claramente, se o Unibanco ficou nessa situação, existem outros bancos brasileiros de médio porte com perdas que virão à tona nos próximos dias, possivelmente gerando mais consolidação".

A consultoria aponta o Bradesco como possível ator principal de uma próxima transação entre instituições financeiras. "O Bradesco, em particular, estará ansioso para encontrar um alvo para aquisição e retomar a posição de liderança entre os bancos privados."

Com informações da Reuters.

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