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Sábado, 11 de outubro de 2008, 10h00

Fonte: Redação Terra

Personalidades

Confira executivos que perderam e ganharam com a crise

As primeiras manifestações da crise econômica que hoje afeta todo o mundo começaram nos Estados Unidos, com bancos e financeiras que concederam empréstimos de risco tendo dificuldades para receber este dinheiro. Contudo, até os problemas virem à tona, a idéia de ampliar os ganhos com consumidores que sempre estiveram fora do alvo dos bancos rendeu lucros a estas instituições e seus executivos.

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Na esteira desses lucros, os grandes investidores, donos de ações destas empresas, também faturaram com a valorização dos papéis nas bolsas de valores. Esta onda de ganhos começou a perder força no começo do ano passado, quando os primeiros bancos divulgaram dificuldades para receber estes empréstimos.

O efeito contrário, numa proporção ainda maior, foi desencadeado e bancos, executivos e investidores começaram a contabilizar - e o fazem até agora - os prejuízos por apostarem em maus pagadores, empréstimos arriscados e papéis sem liquidez.

Considerado o homem mais rico do mundo pela revista Forbes em março, o investidor Warren Buffett havia perdido cerca de R$ 12 bilhões até setembro, e o posto de homem mais rico do mundo, segundo a Forbes, devido à queda das ações de sua empresa, a Berkshire Hathaway. Contudo, em reportagem do começo de outubro, com dados atualizados, a publicação afirmou que Buffett aumentou seu patrimônio em US$ 8 bilhões desde setembro e retomou o lugar de maior fortuna do planeta, que pertencia a Bill Gates. De acordo com a Forbes, o investidor era dono de US$ 58 bilhões no último levantamento.

Quem também perdeu durante a crise foram os co-fundadores do Google, Sergey Brin e Larry Page. De acordo com a lista de setembro da Forbes, os executivos, com fortunas de US$ 15,9 bilhões e US$ 15,8 bilhões, respectivamente, viram suas ações perderem 40% de valor desde o pico de valorização.

O atual presidente-executivo do Citigroup, Vikran Pandit, foi um dos personagens que ganharam com a crise. Segundo o jornal The New York Times, o executivo embolsou cerca de US$ 220 milhões para assumir o banco em crise. Contudo, quase US$ 50 milhões deste montante está vinculado ao desempenho das ações da empresa, que sofreram desvalorização nos últimos meses.

Ainda no Citigroup, o presidente-executivo anterior a Pandit, Charles Prince 3º, levou da empresa US$ 10,4 milhões em novembro do ano passado, quando se desligou da instituição. O Citi ainda pagou, a título de bonificação, no começo de 2008, US$ 8,3 bilhões a seu vice-presidente do conselho, Lewis Kaden; US$ 19,3 milhões a Michael Klein, co-presidente do banco de investimento do grupo; e US$ 10,3 milhões a Stephen Volk, também vice-presidente do conselho.

Angelo Mozilo, ex-presidente da corretora Countrywide, afirmou à CNN ter deixado de lado US$ 37,5 milhões para poder concretizar a venda da empresa, em problemas devido à crise, ao Bank of America. Mesmo tendo que abrir mão da fortuna, segundo a CNN, Mozilo ainda levou US$ 23,8 milhões por um plano de pensão, US$ 20,6 milhões em compensações atrasadas e US$ 5,8 milhões em ações da Countrywide.

O Goldman Sachs anunciou prejuízos no segundo semestre deste ano, mas, até o ano passado teve resultado positivo e remunerou seus executivos por isto. O diretor executivo chefe (CEO, em inglês) do banco embolsou US$ 54 milhões, entre salários, participação e bônus, durante o ano de 2007. Com isto, Loyd Blankfein se tornou o executivo mais bem pago de bancos de investimento.

Até mesmo executivos que não atuam no setor financeiro foram afetados pela crise. A Ford anunciou em abril que reduziu em 40% o pagamento de seu principal executivo, William Clay Ford Jr., para US$ 13,3 milhões, depois de a montadora registrar prejuízo de US$ 1,6 bilhão com suas operações automotivas na América do Norte.

AP
Apesar de ter se recuperado no mês de setembro, Buffett ainda acumula perdas de US$ 4 bilhões durante a crise

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