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Sexta, 10 de outubro de 2008, 11h24

Fonte: Redação Terra

Economia Nacional

Lula: crise americana não atrapalhará crescimento do Brasil

Atualizada às 12h45

Laryssa Borges
Direto de Brasília

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira que a crise financeira nos Estados Unidos não irá comprometer as metas de crescimento do Brasil para os próximos anos, uma vez que, segundo ele, o País conta com pilares estáveis, como um alto volume de reservas, hoje na casa dos US$ 200 bilhões.

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Apesar das fortes quedas da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) nos últimos dias e da interrupção do pregão nesta sexta após baixa de 10%, Lula observou que o Brasil será o país que menos vai sofrer com a crise financeira mundial.

"O sistema bancário brasileiro está sólido, as finanças públicas brasileiras estão sólidas, a política fiscal do governo está muito sóbria e muito serena, as reservas nossas nos dão tranqüilidade. Até agora não há sinal de que a economia brasileira esteja envolvida no subprime. Portanto, ela pode chegar aqui muito menor e não vai atrapalhar o desejo nosso de continuar crescendo", afirmou o presidente ao conceder entrevista ao Terra e a veículos de Internet convidados.

"Obviamente que se tiver uma crise profunda de recessão nos Estados Unidos e essa recessão atingir a Europa, que atinge a China, obviamente que todos os países irão sofrer. Mas eu estou convencido de que o Brasil sofrerá menos do que qualquer outro país com a crise econômica surgida nos Estados Unidos", completou.

Adotando tom de cautela e orientado por seus assessores a defender uma "mensagem de serenidade" e de "recusa ao alarmismo", o presidente observou que a crise não é dos países pobres, mas sim das nações desenvolvidas. "Agora não é uma crise dos pobres. Agora, o calo é no pé dos ricos", comentou.

"É como se nós tivéssemos tomado uma vacina contra uma doença. Então ela está demorando para chegar no Brasil e talvez, se chegar, chegue em uma proporção muito menor do que está chegando nos Estados Unidos, onde é o epicentro da crise, ou na Europa, onde todos estavam metidos na especulação financeira com o subprime", declarou.

Enfatizando que, apesar da "serenidade", passava um recado com "verdade absoluta", Lula pediu cautela ao se estimar o tamanho dos potenciais estragos da crise financeira e observou que, assim como acontece com uma pessoa doente, ele não deve dizer a todo momento que as coisas vão piorar. "Sou um tipo de ser humano que, quando vou visitar alguém no hospital, não fico contando quantas pessoas morreram daquela doença."

"O povo está vendo na televisão. É preciso saber como essa crise é vendida todo santo dia. É preciso que a gente dê às crises a dimensão que elas têm. Essa crise americana é profundamente forte, mas o Brasil está profundamente preparado", afirmou o presidente.

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